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O PERIGO DAS DOENÇAS NA MONOCULTURA (1) – A GRANDE FOME – Pelo Dr. MARCOS NETO

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Neste ano de 2019 estamos chegando aos 30 anos da chegada da vassoura de bruxa na região cacaueira do Sul Baiano, doença causada por um fungo, que alguns dizem ter sido introduzido criminosamente, que muitas mudanças trouxe para nossa região, umas até boas como tentativas bem sucedidas de diversificação, e outras desastrosas como a pobreza que se alastrou pelos campos e cidades. A história da humanidade, entretanto, mostra que acontecimentos como esses são de certa forma corriqueiros ao longo do tempo. Contarei de forma resumida nesta nossa coluna, ao longo de algumas semanas alguns exemplos. No de hoje lembraremos o desastre causado por um fungo na Irlanda, episódio que ficou conhecido como “A grande fome”.
A Irlanda do século 19 dependia muito da cultura da batata para alimentar sua população que era constituída de 3 milhões de habitantes. Uma doença causada pelo fungo oomiceto fytophthora infestans que contaminou toda a Europa entre os anos de 1840 e 1845, dizimou 90% das lavouras de batata irlandesas matando 1.000.000 de pessoas de fome e forçando outro milhão a migrar para outros países, principalmente EUA e Canadá. A fome foi um choque social para a Irlanda cujos efeitos mudaram para sempre o plano demográfico , político e cultural daquele país. Os emigrantes irlandeses contribuíram para que os Estados Unidos viessem a ser a nação que é hoje e na Irlanda mudanças foram feitas ao longo do tempo, mas a batata continuou por muitos anos a ter a importância que tinha antes, apesar de tudo.
Lições como estas não podem ser esquecidas e hoje, quando ainda não nos livramos dos problemas causados pela vassoura, precisamos procurar meios, com a ajuda dos governos, para avançarmos cada vez mais na direção da independência da monocultura do cacau.

(Marcos Neto é Engenheiro Agrônomo)
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