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O PROFESSOR E A DESVALORIZAÇÃO PROFISSIONAL – Pelo Prof. NELSON RIBEIRO (Itamari)

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O que você quer ser quando crescer? Todos nós já respondemos uma pergunta desse tipo. E a resposta? Qualquer coisa, menos professor. A profissão que forma todas as outras, a profissão que influencia para toda a vida, defendida e enaltecida nas propagandas, nunca esteve tão ameaçada.
Escolas sucateadas, desvalorização, indisciplina de alunos, agressões físicas, verbais e ameaças são constantes nas salas de aulas. Em meio a tudo isso, e para piorar ainda mais a situação, estamos saindo da posição de vítimas para a de algozes. Estão querendo nos culpabilizar pelos fracassos nas administrações e contas públicas. Não é surpresa, que a conta sempre recai sobre os mais fracos, os mais desprezados socialmente.
A situação revela, quanto a educação é importante no Brasil ou melhor dizendo, quanto ela é renegada ao último plano. Para muitos gestores, somos os responsáveis pelo desequilíbrio nas contas públicas, nossos direitos adquiridos com muito suor e sangue estão sendo retirados a cada instante, alguns conquistados há mais de 20 anos.
Em boa parte dos municípios do Brasil e até mesmo no Congresso Nacional, sofremos ameaças, todos os dias somos golpeados, nossos planos de carreira e estatutos que nos trouxe dignidade e um pouco de respeito e valorização, estão sendo rasgados por gestores incompetentes, inescrupulosos, mentirosos e imorais. Eles querem soluções rápidas e simples para seus problemas financeiros e escolheram a classe mais desvalorizada da sociedade por eles para atingir, os professores.
Na contra mão dos países que valorizam o professor e a educação, o Brasil entra de vez no retrocesso. Para quem almejava sair das últimas posições nos índices educacionais, para quem desejava deixar de ser vexame mundial, lutam contra os professores, muitas vezes com ódio. Sim, estão procurando golpear, aqueles que seriam parte da solução para os problemas do país.
Em vez de investir na qualificação dos professores, em mais formação, em melhores condições de trabalho, em avaliações e exigências de boas praticas docentes, o que vemos hoje é um total desrespeito e movimento contrário à tudo que os países desenvolvidos estão fazendo, rasgam a Constituição, rasgam as leis por meio de decretos e sentenças compradas com o dinheiro da própria educação, que há décadas vem mantendo as contas dos municípios por meio dos desvios de verbas para outras pastas, e agora estão loucos, pois a fonte está secando.
Professor é sacerdócio, vocação, magistério e quem quiser deve ensinar por amor e não por dinheiro – é o pensamento de muitos administradores tanto de esquerda , quanto da direita. Esse pensamento superado há muito tempo, tem voltado muito forte nos dias atuais. Médicos, advogados podem ganhar bem, são chamados de doutores muitos sem nem serem especialistas, professores não. Muitos professores doutores, não são chamados de doutores, mas é só alguém vestir um jaleco branco ou paletó e gravata que recebe todas as honras e títulos possíveis. Que país é esse? Onde iremos chegar? Iremos além do fundo do poço? Poderá ficar pior? A máxima de pior não fica está sendo superada, pois está ficando.
Querem que os professores retornem para as senzalas, de onde nunca deveriam ter saído, querem que retornemos para a lousa de cimento e giz, para a máquina de datilografia e mimeográfos com direito ao retorno da palmatória, agora sendo usada não contra os alunos, e sim contra todos nós professores.

(Nelson Ribeiro Filho, Mestrando em Educação, especialista, Professor das redes Estadual e Municipal de ensino e é o administrador do grupo TRIBUNA LIVRE DE ITAMARI)
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