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A IMPORTÂNCIA DAS BIOGRAFIAS – Pelo Prof. MAURÍCIO SANTANA

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A história da humanidade é repleta de escritas biográficas. Em primeiro lugar, a biografia assume o papel de evitar o esquecimento. Em função da inevitabilidade da morte, muitos(as) biógrafos(as) escreveram objetivando destacar as ações consideradas notáveis de seus personagens, possibilitando assim que permanecessem na memória coletiva, garantindo a eles (as) uma vida histórica para além da vida biológica.
Quando lemos sobre os indivíduos que foram biografados percebemos os ditos “grandes homens”, os quais encarnariam a essência das sociedades reuniam o “espírito” de uma época e explicavam as continuidades e as transformações históricas, o que tornava fundamental na narração das suas vidas.
Deve-se considerar, contudo, que, por muito tempo, historiadores (as) profissionais, em especial aquele (as) ligados à historiografia acadêmica, consideraram que não valia a pena escrever biografias, já que essas seriam incapazes, em sua visão, de explicar os grandes movimentos da história. Para eles (elas), os sujeitos históricos são sempre coletivos e os processos passados só podem ser compreendidos quando se leva em conta durações longas e médias, e não o tempo das curtas existências individuais. Apesar disso, fora da academia, muitos(as) continuaram escrevendo biografias por motivos diversos, que vão desde a curiosidade sobre detalhes picantes das vidas dos(as) biografados(as) até o desejo de celebrar trajetórias percebidas como “à frente de seu tempo”.
Nas últimas décadas, porém, no campo da historiografia, as biografias foram revalorizadas por motivos diversos. Para alguns (mas), é importante escrever narrativas biográficas a fim de se compreender questões mais gerais, pois os(as) biografados(as) seriam representativos(as) de grupos e processos mais amplos, para além de suas vidas individuais. Para outros (as), trata-se justamente do contrário: o valor da escrita de biografias residiria na singularidade dos indivíduos enfocados, cujas vidas seriam capazes de tensionar e até mesmo contradizer explicações gerais. Outro motivo interessante é aquele que postula que, através das biografias, seria possível identificar as margens de liberdade dos sujeitos individuais, mesmo diante de sistemas opressivos e normativos poderosos.
Enfim, há várias razões para se escrever biografias – falo aqui especialmente de biografias históricas – e não podemos esquecer uma das mais importantes: o prazer que elas proporcionam a quem as escreve e a quem as lê, a sensação de intimidade com o biografado que as boas biografias transmitem, a ideia de que a história não acontece em abstrato, mas encarnada em mulheres e homens reais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DOSSE, François. O desafio biográfico. Escrever uma vida. São PAULO: EDUSP, 2009.
LORIGA, Sabina. O pequeno X. Da biografia à história. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
AVELAR, Alexandre e SCHMIDT, Benito. O que pode a biografia. São Paulo: Letra e Voz, 2018.

(Maurício Santana, Licenciado em História, Professor da rede Estadual e Privada de Ensino, Pós Graduado em História do Brasil, Gestão Educacional e Mestre em Educação)
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