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VIDAS NEGRAS IMPORTAM! – Pelo Prof. ZENILDO SANTOS SILVA-ZOOM

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Nas últimas semanas, a mídia nos mostrou dois casos de mortes de negros, ambas fruto de ações policiais: João Pedro Mattos, o menino negro, 14 anos, foi assassinado a tiros enquanto brincava no quintal de sua casa, no dia 18 de maio e a do ex-segurança estadunidense George Floyd, 40 anos, foi asfixiado até a morte por um policial branco, enquanto pedia socorro por não conseguir respirar, em 25 de maio. Tais acontecimentos trouxeram à tona uma discussão que é necessária, a discriminação racial.
O racismo no Brasil não é à toa. É estrutural. O país foi o último do continente americano a abolir a escravidão. Até 130 anos, os negros traficados eram mantidos em péssimas condições de trabalho, sem remuneração e debaixo de açoite. Quando, na lei, a escravidão foi abolida, nenhum direito foi garantido aos afro brasileiros. Sem acesso à terra e a qualquer tipo de indenização por tanto tempo de serviço forçado, muitos permaneciam nos locais em que trabalhavam ou tinham como destino o trabalho pesado e informal. As condições subumanas não deixaram de existir.
É interessante saber que o racismo se estruturou no Brasil, durante e após a escravidão, a imagem do negro foi associada à vadiagem, ao subalterno, ao sujo, como até hoje, o marginal – bandido. Não à toa, as tarefas mais árduas, as piores remunerações e as formas mais cruéis de castigo ainda são reservadas aos pretos.
As discussões políticas sobre a necessidade de combate ao racismo têm evidenciado a volta de opressão e violência por fatores raciais, o racismo institucional como base nas violências contra grupos étnicos por questões culturais e religiosas. Enfim, não é novidade que a violência racial, sempre foi utilizada como forma de opressão social.
Nascer preto, no Brasil não significa apenas ser candidato a viver nos piores indicadores de carência e pobreza. Significa, principalmente morrer mais cedo. A violência urbana, contudo, tem se encarregado de encurtar ainda mais a precária vida dos jovens pobres, na sua imensa maioria, homens e negros.

(ZENILDO SANTOS SILVA, Bacharel em Psicologia, Psicopedagogo e Mestrando pela UFSB em Ensino e Relações Étnicos Raciais)
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