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VOLTA ÀS AULAS QUANDO E COMO? – Pelo Prof. NELSON RIBEIRO (ITAMARI)

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Quatro meses que as aulas foram interrompidas por conta da pandemia do novo coronavírus e não observamos perspectivas de retorno a curto prazo. Governos Federal, Estados e Municípios ainda não sabem ao certo, quando poderão retornar o funcionamento das unidades de ensino.
O pico que demora a chegar, a pressão para retornar à normalidade, a crise econômica que assola os brasileiros, casos de corrupção, novos surtos do vírus fora e dentro do país e em locais onde pensavávamos que havia controlado. Tudo isso causa uma insegurança, incertezas e muitas dúvidas em relação a esse retorno.
Se o comércio é foco de transmissão do vírus quando reabrem, mesmo seguindo os novos protocolos de atendimento, imaginem as escolas que historicamente foram e são sucateadas, sem boas condições de funcionamento e sem estruturas adequadas. Se já não tinham condições mínimas de conforto e higiene, muito menos terão agora nesse novo cenário, onde a escassez de recursos é bem maior.
Desde março o ensino fundamental, médio e superior ficaram paralisados. Poucas foram as iniciativas para criação e execução de modelos de ensino a distância. Percebeu-se que o Brasil não está preparado para esta nova modalidade de ensino. Constatou-se que poucos alunos possuem Internet, e quando possuem é de péssima qualidade. Além do mais, os alunos que não moram na sede do município, e que não poderiam se deslocar para a escola por conta da quarentena e do transporte. Os professores teriam que ter um mínimo de formação para lidar com as novas tecnologias. E essa formação requer tempo e recursos dos governos, e não seria agora que eles iriam investir nesse sentido. Por estes e por outros motivos todos estão paralisados, sem ter certeza do futuro.
Caso os protocolos de retorno às aulas se concretizem, outros problemas irão surgir e ainda maiores. Muitos professores estão no grupo de risco, os sindicatos não aceitarão que os professores coloquem em risco a sua vida, a vida dos alunos e dos seus familiares. O que fazer com salas com mais de 30 alunos? Haverá entrega de máscaras para os alunos duas vezes por dia, como manda alguns protocolos? Como ficará a higienização das escolas? Serão contratados novos funcionários para as escolas? Esses e outros questionamentos ainda não existem respostas e quando existirem, baterão de frente com a realidade. A triste realidade é que não somos a Inglaterra e nem Nova Zelândia. Somos o Brasil, rico mas onde as políticas públicas e os investimentos custam a chegar.
A que conclusão chegamos? Que o ano de 2020 pode-se considerar um ano perdido. Um ano de aprendizagem assistemática, fora da escola, um ano de outras lições que não foram às dos livros. Um ano que existiram mais dúvidas que certezas e que levaremos décadas para nos recuperar dos prejuízos causados.

(NELSON RIBEIRO FILHO, Mestrando em Educação, especialista, Professor das redes Estadual e Municipal de ensino e é o administrador do grupo TRIBUNA LIVRE DE ITAMARI. Também idealizador da Itamari Kakau’s)
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