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DIA MUNDIAL DO CHOCOLATE. O QUE TEMOS A COMEMORAR? – Por Durval Libânio Netto Mello

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O Dia mundial do Chocolate ou Chocolat Day registra a chegada do chocolate ao continente Europeu no Século XV, mais precisamente na Espanha onde permanece durante quase um século até que a princesa espanhola Anne da Áustria se casa com Luís XIII e leva o chocolate para a França, e a partir daí ganha o resto da Europa.
Derivado do cacau o chocolate é um alimento de pouco mais de 500 anos na forma como o conhecemos, antes de chegar à Europa o cacau era consumido pelos povos pré-colombianos. Os Astecas, os Maias, os Olmecas e os Toltecas utilizavam as sementes do cacau para fazer bebidas desde 1000 anos a.c., Acredita-se que o cacau tinha uma influência muito grande sobre a saúde destes povos. Eles preparavam bebidas a partir das amêndoas com uma leve torra e posteriormente trituravam entre duas pedras. A seguir essa massa era fervida em água aromatizada com baunilha, canela e pimenta da Jamaica e utilizada como bebida.
Ao chegar à Europa o cacau ou o chocolate foi aos poucos sendo transformado como alimento, enquanto na América seu consumo estava associado a religião, a saúde e como estimulante para o trabalho, na Europa cada vez mais ganha contornos de uma guloseima. Registros históricos dão conta que os Maias tinham mais de 150 aplicações do cacau para fins medicinais, enquanto isso a Europa adiciona o açúcar, o leite e cria o chocolate em barra, entre outras inovações.
A partir da descoberta do chocolate pelos espanhóis o cacau foi ganhando importância econômica, em meados do século XVIII chega ao Sul da Bahia, o cultivo do cacau começou no Brasil em 1679, através da Carta Régia que autorizava, os colonizadores a plantá-lo em suas terras. Diferente dos pré-colombianos que tinham o hábito de consumir o cacau, mesmo o estado da Bahia sendo o principal produtor e o Pará o segundo, nosso consumo de chocolate “per capta” é de 300 g habitante ano, enquanto que o Sudeste do país cerca de 4 kg habitante ano, além disso 92% do que se consome no Brasil é de chocolate ao leite com alto teor de açúcar, promovendo diabetes e outras comorbidades.
Conforme assinala Nelson Schaun em 19401 “Muitos poucos dos que se dedicam a esta lavoura usam o chocolate e outros produtos do cacau. Em sua mesa, o cacau não se encontra”, Nelson já “reclamava” a falta de uma cultura alimentar relacionada ao cacau em nossa região, em outro trecho deste mesmo artigo ele conclui “Portanto, vamos generalizar ou, melhor, popularizar o seu consumo”, e que cada vez com mais cacau e menos açúcar.
Em nosso município demos um passo importante ao implantarmos a primeira Fábrica-Escola de Chocolate da Bahia, e capacitarmos mais de 500 estudantes, agricultores e agricultoras na fabricação do chocolate de alta qualidade. É preciso no entanto darmos a verdadeira importância para isto, trabalhando melhor a educação, a cultura o cacau e o chocolate. Somos os verdadeiros detentores da matéria prima e não temos por que não dominarmos também a fabricação e o consumo.

(Professor Ilheense que escreveu o Artigo O Aproveitamento do Cacau na Economia Doméstica, Revista Seiva n° 8, dezembro de 1940)
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