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O EXEMPLO DA FILADÉLFIA – MARCOS NETO

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Como já estamos exaustos de saber, estamos em meio a uma grave pandemia, que não foi a primeira que a humanidade já enfrentou. A pandemia com a magnitude desta atual, foi a conhecida gripe espanhola que assolou o planeta entre 1918 e 1920.
A exemplo de hoje, naquele tempo, já se discutia questões como isolamento social, quarentena, remédios milagrosos e fake news. Estima-se que um terço da população contraiu o vírus e algo entre 50 e 100 milhões de pessoas perderam a vida. A doença atingiu todo o mundo de maneira variável de lugar para lugar. A cidade da Filadelfia, capital do Estado americano que leva o mesmo nome, muito próximo de Nova York, é até hoje usada como exemplo do que pode acontecer em uma crise destas. Quando a doença surgiu lá, muitos não acreditaram, desdenharam, o prefeito e as autoridades de saúde chegavam a perseguir parte da imprensa que publicava que mortes estavam ocorrendo, pois os Estados Unidos estavam em plena 1ª Guerra Mundial e o governo temia que o medo da doença desmobilizasse o esforço de guerra. Nada foi feito para isolar a população, o resultado foi catastrófico. Quando o sistema de saúde explodiu, as pessoas começaram a morrer em casa sem atendimento, famílias inteiras ficavam doentes, pessoas ficavam por dias doentes na cama com seus conjugues mortos ao seu lado, sem que elas tivessem forças para pedir ajuda. Quando o sistema funerário entrou em colapso as pessoas começaram a furtar caixões, quando os caixões acabaram, os corpos passaram a ser armazenados empilhados aguardando sepultamento, pois com a maioria dos coveiros doentes não havia quem os enterrassem, passaram então a serem feitos enterros coletivos em covas comuns escavadas por máquinas. A economia parou, as escolas pararam, as pessoas se isolaram no fim das contas, por medo, por pavor.
Há quem diga que esse tipo de exemplo não pode ser usado hoje, que seria uma comparação sem cabimento, pois hoje temos remédios, respiradores e outras maravilhas da ciência. Nada mais falso. Não temos remédio, não temos ainda vacina, a estrutura de saúde dos países se mostrou insuficiente para o volume de casos e estamos diante de uma nova catástrofe. As únicas orientações que funcionam de verdade ainda é isolamento social, higiene, quarentena e lockdown, quando necessário , mas como no tempo da gripe espanhola existem aqueles que não acreditam, que minimizam e fazem questão de desinformar, contribuindo com um maior número de mortos. Os exemplos existem, mas nós nos recusamos a aprender.

(MARCOS NETO, engenheiro agrônomo)
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