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ITAMARI E SEUS 58 ANOS DE HISTÓRIA – Pelo Prof. NELSON RIBEIRO (Itamari)

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Itamari no último dia 18 de julho, completou seus 58 anos de emancipação política. Confesso a dificuldade que tive tentando escrever este texto em homenagem a nossa amada cidade. Como todos sabem, Itamari já foi uma terra de mais encantos, como tem revelado o Museu Virtual da cidade. Aqui já tivemos grandes festas, concursos em várias modalidades, grande e alegres gincanas. O Colégio João Galvão Sobrinho já foi um grande centro de formação do Magistério Municipal, formando e exportando excelentes professores para o mundo. Já tivemos as festas do Cacau que exaltada a nova principal atividade agrícola e orgulho regional, pois o cacau só se desenvolve em regiões privilegiadas do mundo. O esporte já foi mais forte, as festas religiosas maiores, a cultura em geral mais rica e intensa. O povo já teve mais motivos para alegria, não é saudosismo, é fato.
O que Itamari tem de mais belo? Seu povo, com sua hospitalidade, sua alegria, sua vontade de vencer, com seu envolvimento político e vontade de mudar. Itamari com suas belezas naturais, com seu clima quente e úmido, com chuvas e terras férteis que nos faz um município com grande potencial para a diversificação da agricultura, diria uma das terras mais férteis do mundo, mas que ainda não aprendemos a aproveitar.
Poderia falar aqui do nosso povo, das famílias tradicionais, dos Freires, Vasconcelos, Ribeiros, Machados, Inácios, Menezes, Galvões e Carvalhos. Itamari foi e é rica em tipos humanos, pessoa do bem que aqui habitam e habitaram. Os primeiros desbravadores da nossa terra, com suas histórias de superação. Sem citar nomes foram homens e mulheres que aqui resolveram constituir famílias e aqui ficaram. Construíram igrejas, abriram estradas, doaram terras, geraram empregos e renda na época e contribuíram para a sua emancipação. Saudosos homens e mulheres que não mais estão conosco – não tenho tempo, para contar essa parte da nossa história, deixo isso para algum historiador.
Na realidade, Itamari desde a sua emancipação cresceu pouco. Olhamos para os quatro cantos da cidade e percebemos que paramos no tempo. Os dados do IBGE não mentem, encolhemos nos últimos anos. Nossos jovens têm saído para tentar a vida lá fora e poucos são os que retornam. Os muitos que conseguem êxito profissional é mais por iniciativa própria, do que por condições que o município oferece. Apesar de termos muitos profissionais formados em todas as áreas, na maioria, estamos nos tornando uma cidade de funcionários da prefeitura, de cadastrados no Bolsa Família e aposentados. Uma cidade sem carteira assinada! Já fomos maior que as cidades da região, e hoje estamos perdendo esse posto e se não mudarmos os rumos, seremos em breve a menos desenvolvida.
Os dados de alguns institutos indicam que somos quase os piores do Brasil em educação, saúde e emprego. Desde a emancipação política, boa parte dos prefeitos que por aqui passaram fizeram mais para si, comprando fazendas, carros e construindo suas casas, do que para melhorar a cidade. Administraram apenas para pagar salários, organizar as contas e muitas vezes nem isso conseguiram. Apesar de alguns avanços em algumas gestões, como organização das contas municipais, melhoria no sistema de saúde, pavimentação, construção de prédios, o que vemos são grandes retrocessos. A cidade encolhe, piora seus índices, aumentam apenas as estatísticas ruins e suas desigualdade sociais. Somos mais manchetes nas páginas policiais do que nas Good News. Nunca fomos destaque nacional por causa de um grande projeto, por causa de algo bom que a prefeitura realizou. Em vez de quererem fazer história, se imortalizar na memória do povo, alguns prefeitos sairam do município com contas reprovadas, inelegíveis, com condenações na justiça e ainda tendo de ressarcir (devolver) dinheiro aos cofres públicos quando condenados. Seus pecados são maiores que suas virtudes.
Já tivemos boas escolas, um bom hospital e até mesmo duas agências bancárias. Hoje a nossa maior obra é um ginásio de esportes e um campo de futebol. Nosso comércio luta para sobreviver, a agricultura sempre comandada por amadores e sem grandes investimentos. Lutamos para sobreviver e sobrevivemos com nossa grande criatividade e jogo de cintura. A culpa é apenas do povo? Não. Itamari é a cidade do já tivemos. O nosso passado foi muito mais rico do que o nosso presente, encolhemos e voltamos no tempo. Como escreveu muito bem o nossos conterrâneo, e hoje paulistano, fotógrafo e jornalista Manoel Messias “a feira da cidade, de tantos anos de tradição, com a crise agravada pela Pandemia praticamente não tem funcionado. A cidade já vem sentindo com falta de estrutura, investimento e queda de sua agricultura há algum tempo …”
Certa vez o Padre Neto da Paróquia local em um dos seus sermões falou “Itamari é uma cidade feia, esburacada, sem planejamento.” O padre, assim como outros não encontrou argumentos, nem fatos que pudesse corroborar para a elaboração de um sermão positivo em relação à nossa terra natal. Ele apenas expressou o que a população fala e sente, e como porta voz de Deus e das pessoas aqui na terra, cumpriu sua obrigação de não se omitir.
Portanto, só nos resta falar de como gostaríamos que fosse, da cidade de nossos sonhos, da Itamari que todos nós desejamos, de nossas utopias! A Itamari que poderia ser mais organizada, poderia ser mais arborizada, suas entradas poderiam ser mais bonitas, poderia ter mais jardins, poderia ter área de lazer, como praças para crianças, poderia ter novamente um hospital ou no mínimo atendimento 24 h. Itamari é portanto, a terra do que poderia ser, mas não é… e teremos de trabalhar muito, para recuperar os atrasos em nossa história.
Como cantou o poeta Edson Gomes “precisamos de um super homem” precisamos de alguém que queria fazer a cidade e não sua vida pessoal. Precisamos de alguém que queira fazer história, deixar um legado, um nome e não de parasitas que só sugam o pouco que temos, que só pensam neles e em seus familiares. Precisamos de pessoas não gananciosas no poder. Alguém que não precise de dinheiro da prefeitura para sobreviver, alguém que ame a cidade, alguém que seja sensível ao que o povo está passando. Precisamos de alguém que conquiste o nosso povo, que não nos culpem por tudo de ruim que tem acontecido e já aconteceu no município, que divida a culpa e que façamos um grande pacto de mudança. Uma união de todas as forças políticas com o objetivo de progredir e superar. Chega de culpar o passado, vamos pensar no futuro, queremos sair desse atraso histórico, das páginas policiais, queremos ser boas notícias, chega de ser vexame nacional.

(Nelson Ribeiro Filho, Mestrando em Educação, especialista, Professor das redes Estadual e Municipal de ensino e é o administrador do grupo TRIBUNA LIVRE DE ITAMARI. Também idealizador da Itamari Kakau’s)
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