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RUI E WAGNER FAZEM OPÇÃO POR OTTO EM DETRIMENTO DE LEÃO – Por Raul Monteiro*

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Apesar de ter assegurado a presidência da Assembleia Legislativa para um aliado da gema, o deputado estadual Adolfo Menezes, do PSD, o governador Rui Costa (PT) está longe de ter garantido para si, seu partido e, especialmente, para Jaques Wagner uma chegada tranquila para a sucessão de 2022, a qual o senador pretende disputar com o seu apoio. Longe disso, o conjunto de episódios que levaram à opção da base pela candidatura de Adolfo promoveu uma fissura numa aliança de quase uma década liderada pelo PT, tendo PSD e PP como principais parceiros, que talvez não possa ser superada até a próxima campanha estadual.
Na verdade, foi a preocupação com a eleição que renovará o comando do Estado daqui a dois anos que produziu todo o estresse em torno da sucessão do presidente da Assembleia, deputado Nelson Leal (PP), dada exatamente a importância que o Poder Legislativo e, especialmente seu comando, exercerá tanto na governabilidade de agora por diante quanto nas articulações que presidirão a formação da chapa com que o grupo concorrerá. No processo, no entanto, o governo e, consequentemente, o PT, fez uma opção clara de aliança por um dos aliados em detrimento de outro que dificilmente não terá repercussão no relacionamento dos três.
É evidente que a escolha do governador Rui Costa por Adolfo representou também uma vitória do senador Otto Alencar, o cacique do PSD, sobre o vice-governador, João Leão, líder maior no Estado do PP, partido do presidente da Assembleia, que julgou ter condições de esticar-se no comando da Assembleia por mais um mandato. Era um direito legítimo da legenda, apesar de um acordo que firmou, há dois anos, com o PSD pelo qual apoiaria exatamente Adolfo à sucessão de Leal. Mais do que isso, era uma arenga, baseada no rompimento de um alegado compromisso, que caberia aos dois partidos dirimir.
Ocorre que o governador Rui Costa, não se sabe exatamente porque motivo, deixou-se enredar pelos termos do entendimento entre as duas legendas e até participar do evento do acordo, o que o comprometeu com o seu cumprimento. Como resultado, teve que, na hora H, assumir posição, escanteando um aliado para ficar com outro. A eleição no Legislativo, tendo ele como avalista, assumiu tal contorno que o principal interessado na sucessão estadual, Wagner, acabou tendo que se envolver diretamente nas articulações para fazer prevalecer o entendimento da base em torno do respeito ao acordo.
Sob o pressuposto de que o PSD tinha precedência sobre o interesse do PP, o senador trabalhou abertamente pela consolidação do nome de Adolfo, envolvendo-se numa disputa da qual a prudência talvez recomendasse que não tomasse parte neste momento. Wagner possivelmente contasse com a expectativa desde já de que, sem espaço para participar de sua virtual chapa – já que a lei impede o vice de concorrer de novo à posição ou indicar a ela o filho, Cacá, e Otto não abre mão de disputar de novo o Senado -, o progressista já trabalhe por uma aproximação com a virtual candidatura de ACM Neto (DEM). Mas talvez não precisasse explicitar tão cedo a desconfiança. *Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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