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UM GRITO NEGRO – Pelo Prof. ZENILDO SANTOS SILVA- ZOOM

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Quando ainda não entendia
Quando ainda não me reconhecia
Quando ainda não me via
Quando ainda não me envolvia
A minha cor não me pertencia
Eu não tinha identidade, quem dera verdade
Achava que ser negro era estranho, molambo, mocambo
Marginal, objeto sexual, dispositivo do mal
Não me via na TV, nos filmes, novelas… não estava na programação
Só estampados nas páginas policiais, mais um corpo no chão
Fui vendo meus irmãos exterminados, por políticas de Estado
Sem moradia/emprego, sem saúde/educação
Mas com o tempo fui crescendo e vivendo
A minha ancestralidade, a beleza dos meus lábios
A singularidade do meu nariz, o crespo do meu cabelo
A ginga do meu andar, a riqueza do meu linguajar
Foi na história do meu povo, fruto de muito lamento
Mesmo não estando nos livros didáticos, eram páginas de tormento

Eu não tinha culpa, se é que é preciso apontar
Ensinaram-me que minha cor era feia, que precisava apagar
Mas esse reconhecimento, de alguém que não se prendeu aos discursos
Acreditou no futuro, nos sonhos de transformar o mundo
Que veio da força do engajamento, eu juro, do sentimento
Dos exemplos e sofrimentos, do meu pai oxalá
Das parteiras e rezadeiras, dando boas vindas ao chegar
Das páginas de lamentos, de dor, sim Senhor!
Ao conhecer a história dos ancestrais, despidas de rivais
O desejo de reescrever novas páginas, páginas a mais…
Um novo tempo é chegado, de políticas afirmativas
Contra uma necropolítica, que massacra/discrimina
Mas que é preciso não ter medo, ter voz e gritar
Conquistar novos rumos, porque negro quer estudar
Quer sair das amarras, quer sambar, quer cultuar
Quer reconhecer, ser reconhecido… quer se empoderar.

(ZENILDO SANTOS SILVA, Bacharel em Psicologia, Psicopedagogo e Mestrando pela UFSB em Ensino e Relações Étnicos Raciais)
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