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A ECONOMIA E BOLSONARO – Por Mirian Leitão

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A crise na economia é parte importante do quadro refletido nas pesquisas eleitorais. A inflação está alta, corroendo a renda. Isso afeta dramaticamente os pobres e espalha desconforto na classe média. Nos próximos dias, o presidente Jair Bolsonaro terá um número para comemorar, o do PIB do primeiro trimestre, que pode ter alta de1,5% sobre o período anterior. Isso é bom, mas é um olhar pelo espelho retrovisor que não traz alívio neste momento.
O governo e o presidente da Câmara, Arthur Lira, executam um golpe econômico através de medidas para reduzir rapidamente a inflação de maneira artificial. A grande pergunta é: isso terá efeito eleitoral? Pode, sim, diminuir o índice em até dois pontos percentuais, mas a carestia continuará.
O Datafolha trouxe um quadro extremamente negativo para Bolsonaro, abrindo a possibilidade de a eleição se decidir no primeiro turno em favor do ex-presidente Lula da Silva. Nos números detalhados da pesquisa, tudo é desfavorável a Bolsonaro. Lula está disparado em vários segmentos da população, inclusive entre beneficiários do Auxílio Brasil.
A medida populista e enganadora de trocar o nome do Bolsa Família, piorando muito a estrutura do programa de assistência aos mais pobres, não está funcionando. Bolsonaro e Lula estão tecnicamente empatados (39% x 36%) entre evangélicos. O uso abusivo do nome de Deus tem sido em vão.
A economia sempre jogou papel importante na formação do humor do eleitorado. E ela está em terreno altamente negativo. A inflação tira renda, os juros altos cortam o crédito, o desemprego aflige, o baixo crescimento desanima. É importante entender que Bolsonaro não é uma vítima das circunstâncias.
Houve a pandemia, e o presidente agravou seus efeitos na economia pela maneira como liderou o país. Ele decretou guerra contra os outros Poderes, os estados, a vacina, as medidas de proteção. Desta forma, encareceu a luta contra a pandemia. Os efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia chegaram quando a inflação já estava em dois dígitos no país. Bolsonaro piorou o que era ruim por razões internacionais.

A economia não é um ambiente isolado. É um ser vivo afetado por tudo em volta. Um presidente estressado, que governa levando diariamente o país ao limite da tensão, piora o clima econômico. A estratégia eleitoral de Bolsonaro é a crise institucional. Ele acusa o sistema eleitoral de fraude, diz que se ele for derrotado pode não respeitar o resultado, alimenta o fantasma da intervenção militar num país que tem esse trauma, ataca os que vão presidir o processo eleitoral.
Isso é lido nos conselhos das empresas como imprevisibilidade. A dúvida sobre os eventos futuros desestimula investimentos, reduz atividades econômicas, incentiva atitudes defensivas, eleva preços. O modo de Bolsonaro governar é inflacionário e recessivo.
Bolsonaro deu a ordem para reduzir a inflação custe o que custar. O golpe está sendo executado com a ajuda dos ministros da Economia e de Minas e Energia e o presidente da Câmara dos Deputados, o trio Guedes-Sachsida-Lira. Bolsonaro tirou o presidente da Petrobras,
Guedes defendeu o espaçamento dos reajustes, Sachsida soltou nota dizendo que tudo é para manter “cenário equilibrado na área energética”. Conversa fiada. O presidente mandou, e os dois asseclas realizam a intervenção grosseira numa empresa de capital aberto para congelar os preços até as eleições de outubro.
Na Câmara, age o deputado Arthur Lira. Ele colocou em votação o projeto que corta o ICMS dos combustíveis, tira receita dos estados, e os compensa por seis meses. Guedes sabe que isso provocará distorções. Mas eles querem a entrega imediata de uma redução da inflação.
É estelionato eleitoral. Mas vai funcionar? Todos os economistas que ouvimos dizem que a inflação vai cair com esses truques. Mas os analistas políticos duvidam que produza ganho eleitoral. A inflação sairá dos atuais 12% para 10% ou um pouco menos, o que melhora, mas não resolve a crise.
O veneno de Bolsonaro voltou-se contra ele mesmo ao contaminar a economia. A corrida no governo é para tentar neutralizar em quatro meses a adversidade econômica que atinge o eleitorado. A economia estará sob ataque nos próximos meses com todo o tipo de medida que possa enganar o eleitor. (Fonte: O Globo)

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