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O CASAMENTO DE 33 ANOS DO EX-TRAFICANTE DE COCAÍNA COM A EX-SÍMBOLO SEXUAL – PARTE II

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PELA TELEVISÃO

Segundo Jackson Bezerra, da “Playboy”, “o diferencial da Débora era que ela não tinha só o corpo bonito, mas o rosto também”

Dona Wani só soube que a filha havia se sagrado “pantera” porque o concurso era “televisionado”. Débora também não comunicou a ninguém da família que posaria nua na “Playboy”. “Meu irmão mais velho me mataria se soubesse. Eu disse ao Walthinho (Guimarães, produtor de concursos ligado à revista) que faria as fotos, mas precisaria sair de casa.” Ricardo Amaral então a instalou em um flat no Leblon. Disse: “Pode ficar, até arranjar outro lugar. Pelo menos, não vai apanhar do seu irmão”. Ela conta isso rindo. Diz que Denílson chegou a raspar a cabeça para não ser reconhecido como o irmão da capa da “Playboy”.
CORPO EM EVIDÊNCIA

A “pantera” de 1986, na capa da “Playboy”

Corpo em evidência Segundo Débora, a “pantera” e a “coelhinha” solaparam de vez a almejada carreira de “modelo de passarela”. Ela passou a ser requisitada para participar de uma série de concursos de beleza (“Musa do Verão”, “Garota Bumbum” , “Garota do Fantástico”) e a desfilar muito à vontade no Carnaval da Sapucaí.

No Carnaval, com o pai da atriz Marina Ruy Barbosa

Famosa agora pelo corpo (“eles só queriam explorar isso”), ela começou a fazer pontas em humorísticos da Globo, circulava com galãs de novela (“nós desfilávamos pelo Brasil todo, eu, Alexandre Frota, Maurício Mattar, Paulo César Grande, era uma galera que estava começando, a gente andava muito junto”) e saía em colunas sociais. Só então, ela diz, “caiu a ficha”. “Muitas marcas não queriam atrelar a capa da ‘Playboy’ ao produto que vendiam, e, por isso, perdi muito comercial.”.
RECAÍDA INAPELÁVEL

1987: capa da revista “Manchete” (primeira à esq.), na edição de Carnaval

Isso não a impediu de conquistar a tão almejada independência e se mudar para um apartamento de frente para o mar, na Barra. A mãe foi junto, para “tomar conta” da filha. Não adiantou. “Um dia, estou eu na barraca do Pepê [posto 2 da praia], e quem aparece? Essa peça.” Ela aponta para Luiz Carlos. O traficante agora era dono de restaurante e de salão de beleza. “Tudo fachada, para lavar o dinheiro da droga”, ela diz. A recaída foi inevitável. Luiz estava indo para o Havaí, e queria que Débora fosse junto. Mas ela estava aguardando o “retorno” da matéria da nudez nos pontos turísticos do Rio. “Sabia que atrairia muita publicidade.” Ele disse que não dava para e esperar, precisava ir imediatamente. Sem saber exatamente onde estava se metendo, imbuída apenas de amor, Débora Soares esqueceu o trabalho, brigou com a família e embarcou na primeira classe de um voo para Los Angeles.
MALA CHEIA
Assim que se instalaram no hotel nos EUA, Luiz recebeu a visita de um atleta que trazia uma mala carregada de cocaína. Indignada, Débora pediu seu passaporte a ele e disse que embarcaria de volta para o Brasil. Mas, como viria a se repetir, acabou ficando.
Luiz Carlos usava esportistas como mula para levar a droga: “Na época, não havia esses patrocínios milionários, e os atletas topavam fazer o transporte, em troca de investimento financeiro no esporte. Até gente da CBF”, lembra ele. Para que a operação não vazasse, ele mantinha o “mula” isolado antes da viagem. Levava-o para a mansão onde morava e mandava vigiá-lo, “sem tolher a liberdade dele em nada”. Segundo Luiz Carlos, não havia risco de dar errado. “O esquema montado nos aeroportos era muito forte, tanto para a droga sair, como para o dinheiro entrar. Muita gente envolvida. Eu controlava 45 pessoas.”
MÉTODO HI-TECH
Apesar de seguir os caminhos de Deus há 28 anos, Luiz Carlos Leite não se furta de conjeturar como faria se tivesse de traficar hoje: “Eu não usaria o mesmo método. Tudo agora é tecnológico.” Pergunto se ele recebe propostas para voltar para o tráfico: “Amigo, eu prego muito em comunidade. O que você acha que eu encontro ali?” Deus? Ele forja uma expressão que transita entre o infantil e o cafajeste. E ri.
HAVAÍ 87
No Havaí, a vida de Débora “passou a ser a vida dele [Luiz]”. “Ele ficava o dia no telefone, ligando para o mula, para o cara que ia buscar, para o que ia comprar, um estresse!” Até então, segundo conta, ela “cheirava apenas para animar”, antes de entrar na avenida (Marquês de Sapucaí), ou em uma festa. Mas então, passou a consumir cocaína “por falta do que fazer”. “Eu me sentia infeliz, queria trabalhar, ter minha vida, e ao mesmo tempo a droga estava ali, disponível em quantidade.”
DÓLARES NA BOTA

No Havaí, em 1987: a pantera e o traficante internacional

Um dia, “virada de cocaína”, Débora pegou sua prancha de morey-boogie e se embrenhou no mar de corais de Diamond Head, disposta a por fim a própria vida. “Hoje, vejo que foi a primeira vez que Deus agiu em mim. Não me deixou fazer aquela besteira. Eu voltei para o flat e disse ao Luiz que queria mesmo vir para o Brasil. Dessa vez, ele concordou.” Débora desembarcou no Galeão com cerca de 20 mil dólares distribuídos no cano da bota, no short, na jaqueta. Ao passar pela Polícia Federal, a luz vermelha acendeu, em sinal de que ela teria de mostrar o que estava trazendo. Enquanto isso, a porta automática da saída abria e fechava, e sua mãe acenava para ela, do lado de “Eu dizia que já, já, sairia, e pedi ao guarda para me liberar logo. Então ele disse: “Ok, então vai! Tá liberada!” Muita coisa envolvida. Pouco depois, Luiz Carlos voltou ao Brasil. O namoro continuava. Ela engravidou. O nascimento do bebê estava marcado para 30 de julho de 1988. No dia 18, Luiz Carlos é preso. Débora custa a crer. “No dia anterior a gente tinha caminhado pela orla, feito fotos da minha barriga, filmamos…” O pai da criança passou quatro anos e meio na cadeia, período em que Débora o visitava regularmente, com a filha. A condição para que o relacionamento continuasse era que Luiz Carlos largasse o tráfico. Porém, diz ele, “eu controlava tudo de dentro da cadeia”.
Débora não tinha conhecimento de que a operação do veleiro já estava armada antes da soltura dele. Apesar da resistência que impôs quando soube, ela se viu tendo aulas para aprender a velejar. “Eu estava muito envolvida, não conseguia sair daquilo”, lembra. (AMANHÃ TEM MAIS… PARTE III)

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