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A MELHOR TERRA DO MUNDO PARA PLANTAR CACAU – PARTE V

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EU TENHO UM SONHO
Na Sagarana, o cacau ainda é pisado pelo homem. No caso, o homem é Valdir, funcionário da fazenda que aprendeu com o pai a virar o cacau com os pés. É uma prática quase extinta, mas Henrique quer preservar a tradição. O cacau é colhido bem cedo, no meio da mata que sobe as colinas de Coaraci.

Pra Henrique, esse é o verdadeiro significado de uma indicação geográfica. “Se tem tradição, se tem a sabedoria repassada a cada geração, se essa combinação produz algo único, tem indicação geográfica”, avalia.
A Sagarana também é uma empresa tree-to-bar. A matéria-prima viaja até Ilhéus, onde funciona a pequena indústria que Henrique mantém com um sócio. Dali saem diferentes blends. Desde o 42,5% de cacau, temperado com o exótico e caríssimo caviar de baunilha de Madagascar, até barras de chocolate intenso, com 76% de concentração de cacau.
A pandemia impôs um novo golpe, com o fechamento das estradas e a suspensão das atividades de restaurantes e confeitarias, principais compradores das barras de uso gastronômico. Só recentemente a fábrica voltou a operar. O jeito foi desbravar as redes sociais para manter os pedidos chegando.
“O meu sonho é ver o chocolate baiano sendo valorizado. Nós temos origem, temos tradição no cultivo e agora temos esse desafio de sermos grandes produtores de chocolate. O nosso potencial de cacau fino é enorme”, avalia.
Quando recebe alguém na Sagarana, Henrique costuma dizer: “Se veio e não voltar é porque não gostou”. Pouca gente foi uma vez só.
Chocolate é uma questão de ousadia
Não constava dos planos do químico farmacêutico José Carlos Maltez ocupar a aposentadoria aprendendo a fazer indústria. Não mesmo. Já bastavam os 30 anos chefiando um laboratório em Ilhéus.
Mas se a vida seguisse os planos meticulosamente, não existiria o delicado chocolate que ele aprendeu a fazer para tirar a fazenda que herdou do pai “do fundo do poço”. Palavras dele.
A Fazenda Limoeiro beira a estrada que liga Ilhéus a Itacaré. Foi a única das três propriedades da família, já na terceira geração de cacauicultores, que escapou da venda nos anos 1980.
Os anos de seca e da vassoura-de-bruxa testaram a resiliência de Maltez. De uma produção de 29 toneladas, a Limoeiro caiu a 734 quilos com a infestação, somada a outras doenças que atacam o cacau.

Quando a fazenda virou sua prioridade, a lavoura tentava se recuperar de uma sucessão de erros na contenção do fungo e ele tentava não entregar os pontos com a conta no vermelho. “Pra mim, a saída pra tirar a gente do fundo do poço era verticalizar a produção”, lembra.
Com incentivo de Raimundo Mororó, à época pesquisador da Ceplac, muitos agricultores se aventuraram no mundo do chocolate.
Como outros que viram o chocolate no fim do túnel, Maltez passou pelo trabalhoso processo de deixar de ser apenas agricultor para se tornar industrial, marqueteiro, especialista em logística, design e também em como o mercado de chocolate funciona. “O chocolate é um caminho gostoso, bonito, mas muito difícil também”, diz.
A BAHIA SUPERIOR
A busca pela reinvenção acentuou o desejo de obter uma indicação geográfica. Tanto para valorizar o cacau baiano de qualidade no florescente mercado de chocolate premium feito no Brasil quanto para destacar os chocolates que começavam a surgir na região.
“Ora, se temos notoriedade, se temos um terroir privilegiado para produzir cacau, fazia todo sentido termos um indicação geográfica”, defende Maltez. Segundo ele, a IG também contribuiu muito para que se buscasse aumentar a qualidade do cacau, que sofreu muito com a vassoura. A IG nos ajudou a entender melhor como produzir com técnicas para apurar e liberar os aromas do cacau característicos da nossa região”, explica.
A fazenda tem um rincão dedicado a um experimento com o cacau trininário – cruzamento entre os tipos forasteiro (amazônico) e criolo (das Américas do Sul, Central e México) – que é mais resistente à vassoura e altamente produtivo. Parte da produção, Maltez revende para compradores de outros estados, inclusive a Dengo, e parte vai para a produção do seu chocolate.
Em barras ao leite, com café, em 70% e nos ousados 80% de cacau, a marca dele leva seu nome de família. “O chocolate não perdoa a má qualidade do cacau. A gente está conseguindo chegar lá.” Bahia Superior há de ser também um chocolate. (FINAL). (Fonte: Portal da Indústria)

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