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CAROLINA FERRAZ GRÁVIDA AOS 46 ANOS

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“Quando me casei com o Marcelo [o médico Marcelo Marins, marido de Carolina entre 2012 e 2018], sabia que ele queria ter filhos. Eu já era mãe da Valentina, que tinha quase 20 anos, e não pensava mais em engravidar de novo. Mas acho que quando você se propõe a dividir a vida com uma pessoa que quer, o mínimo que pode fazer é tentar.
Então, em 2014, quando eu tinha 46 anos, começamos a tentar. Em um mês, engravidei naturalmente. Foi muito rápido. Dizem que a gente só consegue engravidar com essa rapidez ou quando você já transa e seus pais ainda não sabem, ou quando você está com um amante e não pode engravidar. Quando você quer, pode e deve, aí você não consegue [risos].
Mas tive um aborto espontâneo, o que é bastante comum nas mulheres acima de 45. Claro que eu sabia das dificuldades de conseguir engravidar na minha idade. Não foi simples, mas também não foi sofrido. Não foi um drama. Eu entendi como parte do processo de alguém que tenta engravidar na maturidade.
Também não ouvi de ninguém que era uma loucura engravidar naquela idade. Só depois algumas pessoas falaram ‘que energia, você não vai aguentar’. Mas, antes, talvez as pessoas ficassem constrangidas. É evidente que pensaram nisso, talvez pensem ainda hoje, mas guardaram os comentários para si, o que agradeço profundamente. Porque opinião das pessoas é muito legal, muito bacana, principalmente quando você solicita. Quando você não pergunta, acho que cada um tem que guardar a sua opinião pra si mesmo. Graças a Deus, me pouparam desses comentários.

“DEI SORTE: CONSEGUI ENGRAVIDAR NA SEGUNDA TENTATIVA”

Embora eu me considere uma mulher muito romântica, para tomar decisões eu sou pragmática. Foi uma conta: dois e dois são quatro. Quero engravidar, tenho 46 anos, não tenho mais tempo a perder: vou partir pra uma fertilização in vitro. Alguns parceiros têm preconceito em relação ao método. Mas o Marcelo entendeu e aceitou isso muito rapidamente.
Então, nós fizemos todos os exames, tanto eu quanto ele. E fiquei surpresa: eu tinha uma reserva de óvulos bastante boa pra uma mulher da minha idade. Fisiologicamente, eu era uma mulher de 36, 37 anos, dez anos mais jovem. Como estava tudo direitinho, a gente partiu para o tratamento.
Durante seis meses, eu fiz a estimulação ovariana e a coleta dos óvulos. Na estimulação, você toma pelo menos 700 ml de hormônio por dia para produzir mais óvulos. Imagina o que é isso? É uma loucura a quantidade de hormônio. A gente incha muito, é sacrificante para o corpo. Depois, parei e fiz uma dieta por dois meses pra me limpar um pouco daqueles hormônios todos. E só aí a gente passou pra fase de transferência dos embriões pro útero. De novo, tive uma sorte muito grande. Consegui engravidar na segunda tentativa.

“ASSIM QUE ENGRAVIDEI, TIVE UMA DEPRESSÃO E FIQUEI MUITO AGRESSIVA”

Depois que engravidei, continuei tomando todos esses hormônios. Além dos seus próprios hormônios, que já estão enlouquecidos devido à gravidez, pelo fato de eu ter engravidado por inseminação, eu ainda tinha que tomar hormônios até o terceiro mês de gestação. É uma dose de hormônio muito alta. Então, assim que engravidei, eu tive uma depressão que se manifestou de um jeito horroroso. Fiquei muito agressiva. As pessoas me perguntavam: ‘Oi, Carolina, você tá bem?’. E eu respondia: ‘Tô! Por quê?’. Queria sair batendo, brigando com todas as pessoas em volta. Precisaram ter paciência comigo.
Eu chorava, chorava, chorava. Era uma infelicidade enorme estar sendo tão violenta com todo mundo. Eu sou uma pessoa, digamos, impositiva, mas não sou de modo algum agressiva.
Ligava para meu médico e falava: ‘Eu não me reconheço, eu não sou essa pessoa, eu tô muito irritada’. E ele dizia: ‘Calma, Carolina, calma. No dia em que você parar com os hormônios, isso passa’. E, realmente, quando eu parei, passei a ser uma pessoa normal grávida.
Também no início da gravidez, eu tive hipotireoidismo gestacional e, por causa disso, engordei nove quilos nos primeiros três meses da gravidez. Ao todo, ganhei 21 quilos. Não foi fácil. Você passa a vida inteira acostumada a um peso e, de repente, fica pesada, desconfortável. Apesar disso, tive uma gestação tranquila, nem enjoei.

“TIVE QUE FAZER CESARIANA. É TUDO DIFERENTE, MAIS LENTO”

Então, no dia 8 de maio de 2015, há 6 anos, quando eu já tinha 47 anos, Izabel nasceu. Infelizmente, tive que fazer uma cesariana porque ela não encaixou direito. Se não, eu teria tentado até o final o parto normal, que é maravilhoso. Como algumas pessoas preferem a cesárea ao parto normal, eu não sei.
Depois do parto da Valentina, que foi normal, eu saí da maternidade usando calça jeans, o meu sistema circulatório funcionando divinamente. Outra realidade. E eu tinha 25 anos. Com a cesariana, eu saí da sala de parto me sentindo como se ainda estivesse grávida de nove meses. O cérebro não recebeu as informações de que não havia mais uma criança ali, que aquela gestação tinha se encerrado. É tudo diferente, mais lento.
Fiquei com aquela barriga gigantesca de grávida por dez, 12 dias. Parecia que a Izabel ainda estava dentro de mim, mas eu já estava carregando ela no meu braço. Eu só queria voltar logo ao normal. Eu tinha que resolver aquilo. Haja suco de casca de abacaxi! Mas não teve nada que solucionasse, a não ser o tempo que é rei e senhor absoluto de tudo mesmo.
Não voltei ao peso de antes da gestação até hoje. Tem mulheres que ficam vidradas na questão do peso? Eu sou uma delas. Adoraria estar no peso antigo, evidentemente, mas eu sou muito realista. Tudo não terás.
Tenho uma filha linda, maravilhosa, tô com 53 anos, bem, feliz, me sinto bonita, sabe? Talvez não fosse mais o momento de pesar 57 quilos. Hoje, eu estou com 63, 64, e tá tudo bem…

“MATERNIDADE É O NOSSO AMADURECIMENTO EM RELAÇÃO A CULPA”

Na primeira gestação, a nutricionista dizia para combinar carboidrato com proteína. Aí, eu estava no meio de um estúdio, gravando, e pintava uma coxinha. Pronto: carboidrato com proteína, cumpri a meta! Meu humor sempre me ajudou muito.
Quando você engravida pela primeira vez, todo mundo te dá conselho: ‘Faz isso, faz aquilo’. Aí você percebe que o melhor é não ouvir ninguém ou ouvir todo mundo e fazer só o que te deixa confortável. Então, na segunda gestação, eu já nem ouvia. O povo começava e eu: ‘Ai, gente, dá licença. Deixa eu fazer do meu jeito. Pode não ser o melhor, mas é o meu jeito’.
Quando eu virei mãe da Valentina, aprendi que a maternidade é o nosso amadurecimento em relação a culpa. A gente que é mãe se culpa muito por tudo que poderíamos ter feito melhor e não conseguimos. Sempre vai ter alguém melhor que você, mais bonito, mais inteligente, que emagreceu mais rápido, que se comunica melhor com o bebê… E você vai fazer o que pode, o que consegue. Quero ser melhor sempre, mas tenho limitações. A maternidade é você confrontando isso 24 horas por dia, sete dias por semana. Quando você entende isso, é libertador.
“FAÇO UM MONTE DE COISAS QUE UMA MÃE DE 20 NÃO FAZ”
Eu acho que é subversivo engravidar depois dos 45 anos, sim, mas é fundamental que a sociedade passe, de uma vez por todas, a encarar a maternidade tardia como uma coisa natural. A gente tem que incluir o envelhecimento na pauta do dia a dia. E eu falo isso como uma mulher produtiva, criativa e muito cheia de energia. É muito desagradável você entrar num lugar com uma criança no colo e as pessoas pensarem: ‘Puxa vida, mas ela já é muito velha pra ter aquela filha naquela idade. Onde ela estava com a cabeça?’
Ah, gente, isso tem que parar de existir. Até porque é muito machista, né?
Tá cheio de cara cinquentão, sessentão com criancinha de três, quatro anos no colo e todo mundo acha lindo. Por que não com as mulheres? Qual é a diferença? Quem disse que uma boa mãe é aquela que consegue sair correndo atrás da bola? Por que nós mulheres estamos sempre nos cobrando?
É claro que, hoje em dia, o agacha-e-sobe é difícil. Outro dia, a Izabel estava dormindo, e eu e a Valentina fomos tomar um vinho e começamos a dançar. Uns minutos depois, eu falei: ‘Ai, minha filha, pensei que eu tava fit, mas tô toda descadeirada’. Claro que eu não tenho mais 20 anos, mas faço um monte de outras coisas que uma mãe de 20 anos não faz. Tem coisas que você não vai conseguir fazer com 20, 30, 40 ou 50 anos, mas foca no que você consegue. E ofereça pro seu filho essa visão da vida.

“VOCÊ VÊ UMA CRIANÇA E PENSA: VALE A PENA”

Na pandemia, a gente tem que passar muito tempo isolado, olhar pra nós mesmos. E fica com dúvidas. Qual é o futuro que vem pela frente? Que mundo a gente está ajudando a construir? Mas aí você vê uma criança e pensa: vale a pena. Deixa eu fazer o melhor que eu posso pra esse momento passar da maneira menos dolorida possível.
A Izabel é feliz, inteligente, engraçada. É um norte e uma força constante pra que eu persevere. As mulheres precisam se olhar com mais complacência. É difícil pra todo mundo, mas nós temos tempo. Se hoje não dá para ser a melhor mãe do mundo, a gente tem amanhã, tem a semana que vem, pra amadurecer nessa relação e se tornar uma mãe melhor.” (Fonte: Universa)

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