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MULHER COM HIV CONTRAI COVID E ACUMULA MAIS DE 30 MUTAÇÕES DO CORONAVÍRUS

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Não é segredo que a ciência ainda tem muito a aprender sobre o comportamento do coronavírus SARS-CoV-2 em humanos, agora, uma pesquisa sul-africana fez descobertas importantes sobre o que pode acontecer quando um paciente com HIV contrai a COVID-19 e possíveis exceções à regra. Neste último caso, a infecção do coronavírus se manteve ativa por 216 dias em uma mulher de 36 anos. Nesse intervalo, o vírus da COVID-19 acumulou mais de 30 mutações.
Publicado na plataforma medRxiv, o relato de caso é um preprint, ou seja, ainda não passou pela revisão de outros cientistas. Segundo os autores, a descoberta do caso da mulher sul-africana foi acidental e só ocorreu porque a paciente foi inscrita em uma pesquisa para estudar o comportamento do coronavírus em pessoas com HIV. No total, 300 voluntários participaram do estudo, sendo que, em outros quatro pacientes, o coronavírus se manteve ativo por mais de um mês.

Paciente com HIV foi diagnosticada com coronavírus e acumulou uma série de mutações do vírus da COVID-19 (Imagem: Reprodução/ IciakPhotos/Envato Elements)

No entanto, o caso da paciente — posteriormente, descobriu-se que o HIV não estava controlado — foi único neste estudo. Inicialmente, a mulher foi atendida em um hospital com sintomas leves da COVID-19, em setembro de 2020. Após ser inscrita na pesquisa, a resposta imunológica da paciente contra o coronavírus foi examinada. Dessa forma, conseguiu-se identificar um número de mutações elevado que a cepa continha.
MUTAÇÕES DO CORONAVÍRUS EM PACIENTE COM HIV
Segundo a pesquisa sul-africana, a cepa identificada na paciente acumulava 13 mutações na proteína spike na membrana celular, considerada a porta de entrada do agente infeccioso nas células saudáveis e o foco da maioria das vacinas contra a COVID-19. Além disso, encontraram outras 19 mutações que podem, potencialmente, alterar o comportamento do vírus. No total, eram 32 mutações.
Algumas dessas mutações foram observadas em variantes de preocupação (VOC – Variant of Concern), como: a mutação E484K, presente na variante Alpha (B.1.1.7, observada pela primeira vez no Reino Unido); e a mutação N510Y, presente na variante Beta (B.1.351, observada pela primeira vez na África do Sul).
Não se sabe se a cepa que a paciente carregava foi transmitida para outras pessoas. Além disso, os autores defendem a importância de se investigar mais casos de pacientes com HIV e COVID-19. Isso porque, se mais casos do tipo forem identificados, será preciso entender de que forma o HIV pode ser induzir à formação de novas variantes do coronavírus.
Segundo o geneticista e diretor da Universidade de KwaZulu-Natal (UKZN), Tulio de Oliveira, a situação da paciente pode ter ocorrido apenas pelo fato do organismo dela carregar o coronavírus por mais tempo. Nesse intervalo maior e com o organismo fragilizado, o número de replicações do agente infeccioso poderia ser maior, e as chances de mutações também.
“Se a infecção persistente por SARS-CoV-2 e a evolução do vírus ocorrerem com mais frequência no contexto do HIV, isso pode fornecer uma justificativa para priorizar as pessoas que vivem com HIV para a vacinação contra COVID-19”, explicou o pesquisador e um dos autores do estudo. Nesse cenário, alguns países já incluem pacientes com HIV no grupo prioritário, mas por considerarem-nos integrantes do grupo de pacientes imunossuprimidos, como acontece aqui no Brasil.
Já o professor da Universidade de Barcelona, Juan Ambrosini, aponta que o caso pode ser apenas uma exceção à regra. Isso porque a infecção prolongada pode ser causada por imunocomprometimento grave, ou seja, quando o HIV não está controlado, por exemplo. Por outro lado, Ambrosini destaca que os resultados são importantes para o controle da COVID-19, porque esses pacientes podem ser uma fonte contínua de transmissão e evolução do vírus. Além disso, outros pacientes imunossuprimidos já foram vistos como portadores do coronavírus por períodos prolongados, como pessoas transplantadas. (Fonte: canaltech.com.br)

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