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AOS 16, EX-THE VOICE KIDS CONTA SER TRANS: “ORGULHO DO HOMEM QUE ME TORNEI”

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Natural de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Levi Aisar, 16, aprendeu a cantar quando ainda era um nenê — nasceu em uma família de músicos. Aos seis anos de idade, estreou na TV, no “Programa Raul Gil”, e cresceu sob os holofotes: se apresentou no programa da Xuxa, da Eliana, cantou com estrelas como Laura Pausini, Paula Fernandes e Michel Teló, e chegou ao “The Voice Kids” (Globo), em 2019.
Aquele ano, aliás, foi um divisor de águas na vida de Levi, que tinha 14 anos à época e era nacionalmente conhecido pelo nome de batismo, Lavínia Aisar.
Levi, que durante a infância e a pré-adolescência não se identificava com roupas e penteados femininos, começou a se sentir cada vez mais desconfortável quando era tratado por pronomes femininos.
“Eles achavam que eu seria lésbica, mas nunca imaginaram que eu seria trans”.

Em 2019, quando ainda se identificava com o gênero feminino e usava o nome Lavínia Aisar, Levi integrou o time de Claudia Leitte no “The Voice Kids” (Globo)
“Desde criança eu sempre fui bem moleque. Não gostava de brincar com meninas e me divertia com brincadeiras ‘de menino’. Não gostava de roupas muito femininas e sempre queria ficar só de shorts, sem camiseta. Gostava muito de jogar bola, brincar de carrinho, empinar pipa e ficar na rua, mas isso sempre com os meninos”, diz ele à colunista.
Quando conversei com minha mãe e com outras pessoas da família sobre ser transgênero, foi um choque muito grande para eles. Eles achavam que eu seria lésbica, mas nunca imaginaram que eu seria trans.
“TIVE MEDO DE REJEIÇÃO”
Com quase 300 mil seguidores no TikTok, foi nesta rede social que o cantor decidiu abrir o coração e comunicar sua transição de gênero. “Eu sempre tive receio de falar sobre esse assunto por não saber como as pessoas iriam reagir a isso, principalmente alguns membros da minha família. Por serem muito religiosos [são evangélicos], eu tinha medo de rejeição. Com o tempo, fui criando segurança para falar sobre esse assunto e compartilhar com as pessoas que me acompanham nas redes. Eu não esperava essa repercussão toda dos vídeos, mas fiquei muito feliz por me apoiarem e ficarem do meu lado”, fala.
SINTO ORGULHO DE QUEM EU FUI E DO HOMEM QUE ME TORNEI
Apoio nas redes
O vídeo em que Levi conta a sua história e explica a transição já foi visto mais de 4 milhões e meio de vezes no TikTok e repercutiu em outras redes sociais.
“O que mais me deu força foi o apoio e o carinho dos meus seguidores e de amigos que sempre me incentivaram a ser quem eu realmente sou e a não esconder isso”, fala à coluna.
Minha família não gostou muito da ideia de eu ser trans, pois vai contra a religião deles e também por acharem que é uma fase e que vai passar. Minha mãe foi uma das únicas da minha família que respeitou meu gênero.
TODO CIDADÃO TEM DIREITO DE ESCOLHER A FORMA COMO DESEJA SER CHAMADO”
Esta é a determinação do Supremo Tribunal Federal que em 2018 reconheceu que pessoas trans podem alterar o nome e o sexo no Registro Civil sem que se submetam a cirurgias. Isso significa que, para ser considerada como uma pessoa trans, basta a sua autodeclaração. Procedimentos cirúrgicos como a redesignação sexual, estéticos ou a terapia hormonal, por exemplo, são escolhas individuais.
Levi não pretende recorrer à terapia hormonal.
Pode afetar a minha voz e eu faço dublagens e canto, então preciso da minha voz mais do que tudo (risos), mas busco por outras opções para me adequar ao meu gênero sem o uso de testosterona
1,9% DA POPULAÇÃO É TRANS
Não existem dados oficiais sobre o número de pessoas trans no Brasil. A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) estima que 1,9% dos brasileiros e das brasileiras seja trans (aproximadamente quatro milhões de pessoas).
Pessoas trans que desejem acessar os serviços do processo transexualizador, oferecido gratuitamente pelo SUS (Serviço Único de Saúde), precisam apenas solicitar o encaminhamento na unidade básica de saúde mais próxima. (Fonte: Universa)

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