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NA EDUCAÇÃO ESTAMOS MESMO ENTRE OS PIORES DO MUNDO? – Por Antonio Gois

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Jornais brasileiros deram pouca atenção a um dado importante divulgado na semana passada: avaliação feita pela Unesco na América Latina mostrou melhoria na aprendizagem dos alunos do 4º e 7º ano do ensino fundamental entre 2013 e 2019 no Brasil. O estudo trouxe dados de desempenho de estudantes de 16 nações latino-americanas em testes de matemática, leitura e ciências. O país que teve o avanço mais consistente em todas as provas foi o Peru, com o Brasil aparecendo logo em seguida.
Na comparação das médias, os melhores resultados dos estudantes brasileiros são verificados no 4º ano do ensino fundamental, série em que obtiveram o segundo maior desempenho, atrás apenas do Peru em leitura e de Cuba em matemática. Cabe a ressalva de que o Chile, que costuma ter desempenho bem acima da média latino-americana nesse tipo de avaliação, não participou desta edição.
Rankings ou comparações entre países precisam ser feitos com muita cautela, pois, entre outros motivos, esse tipo de exame não deve ser utilizado como critério único ou preciso da avaliação da qualidade de um sistema educacional. Mas os resultados desse estudo da Unesco servem ao menos para desmentir alguns argumentos perniciosos ao debate público, como o de que estaríamos entre os piores do mundo, ou de que a qualidade teria só piorado em anos recentes.
Em geral, defensores dessa tese citam os dados do Pisa (exame da OCDE). É fato que a posição do Brasil é frustrante, mas uma leitura mais atenta aos relatórios da OCDE mostra que não é verdade que o Brasil esteja estagnado desde 2000 (primeiro ano em que participou desta avaliação). Além disso, há um viés no perfil dos participantes do Pisa: são, majoritariamente, países desenvolvidos, pois a maioria das nações mais pobres ou em desenvolvimento fica de fora do exame.

Os resultados do estudo da Unesco para o 4º ano do ensino fundamental são coerentes com o movimento de melhoria contínua identificada internamente em nosso Sistema de Avaliação da Educação Básica, onde os maiores avanços são registrados justamente nos primeiros anos desta etapa (mais precisamente, no 5º ano), em contraposição aos resultados ruins do ensino médio (mais próximos do Pisa).
Algumas possíveis explicações no caso brasileiro são a ampliação do acesso à pré-escola e a melhoria do nível de escolarização dos pais, duas variáveis que têm comprovadamente impacto positivo no desempenho escolar. Vale lembrar também que a geração avaliada no 4º ano em 2019 iniciou sua trajetória escolar já beneficiada desde cedo pelo aumento do investimento público por aluno, ocorrido principalmente entre 2003 e 2013. Porém, assim como era precipitado dizer que a ampliação do gasto teria sido inútil, também são necessários mais estudos aprofundados para dizer que esta é uma relação direta de causa e efeito, em vez de mera correlação.
Por fim, a constatação de que melhoramos em algumas etapas não deve dar margem a um otimismo ingênuo. Continuamos muito longe do patamar mínimo aceitável, num cenário extremamente preocupante. Mas, até mesmo para avançar em ritmo mais rápido, é importante identificar avanços e retrocessos e investigar suas causas, para aprimorar políticas públicas que nos coloquem no rumo certo. (Fonte: O Globo)

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