WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia

ELIXIR MILAGROSO (2 anos depois) –* Por MARCOS NETO

.

Há quase dois anos escrevi para este estimado espaço o texto abaixo. Volto a ele para tentar traçar um paralelo com o dia de hoje, analisar se algo mudou.
“Com espanto temos assistido no Brasil, modos muito estranhos de se enfrentar uma pandemia. Quarentena avacalhada, presidente em guerra com ministros, governadores e prefeitos, fake news, política infiltrada ao extremo, sociedade dividida quando era para estarmos todos unidos, focados como estão outras nações cujo objetivo comum é se livrar do flagelo que tantas vidas tem ceifado.”
Não fomos capazes de superar isso, o presidente não cedeu em suas “convicções”, chegando a zombar das vacinas, e tivemos uma tragédia humanitária nunca vista em nosso país, mais de 600 mil perderam a vida, foi um tempo de muita dor e sofrimento para nosso povo.
“Como não podemos passar dois dias seguidos que sejam sem novidades, o assunto do momento é o uso da Cloroquina no tratamento da COVID-19. A droga septuagenária comumente usada para malária, doenças reumáticas e lúpus, foi ventilada pelo Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, como um remédio revolucionário contra o novo coronavírus.
O Presidente Bolsonaro, que durante toda essa crise tem se mostrado contrário a qualquer orientação científica, tendo inclusive perdido dois ministros da saúde por conta disso, abraçou a ideia sem restrições ou contestações, se transformando quase em garoto propaganda do remédio.

Tudo pareceria lindo e perfeito se não fosse um pequeno detalhe. Cloroquina não tem mostrado resultados animadores contra coronavírus em ensaios clínicos ou em pesquisas científicas sérias, levando a crer que não funciona, além de apresentar perigosos efeitos colaterais que podem piorar ainda mais a situação dos pacientes.”
Novamente aqui nosso presidente não retroagiu e insistiu na cloroquina, mesmo depois de Trump mudar de opinião, e depois na ivermectina, e só comprando vacinas, quando elas surgiram, depois de muita pressão, atrasando de propósito a vacinação em um país que já foi exemplo nessa área. Por fim ficou provado que as duas drogas não tem qualquer ação contra o vírus.
“Essa discussão sobre medicamentos e tratamentos deveria estar sendo feita nos meios médicos e científicos, entretanto o presidente faz questão de politizar e polemizar mais esse tema como se já não tivéssemos problemas para nos preocupar como a saúde das nossas famílias e a economia do nosso país.”
Posteriormente a imprensa divulgou imagens de uma reunião que evidenciava a existência de um gabinete paralelo para a gestão da crise, onde “especialistas” discutiam idéias assassinas para combater o vírus, como imunidade de rebanho e outros absurdos. “Não precisamos de um elixir milagroso, precisamos de Deus, trabalho, seriedade e ciência.”
Faltou tudo isso, faltou compaixão e empatia, nossa gente não pode esquecer disso tudo.
*O artigo não reflete necessariamente a opinião do blog (contrariamente aos editoriais, que são a posição oficial).

*MARCOS NETO,
é Engenheiro Agrônomo.

.

Comentários estão fechados.