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O RENASCER DO CACAU BRASILEIRO — AGORA SUSTENTÁVEL

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Após três décadas desde sua estreia original, a novela Renascer retornou às telas da Rede Globo, recolocando o cacau no horário nobre. Tal como José Inocêncio, o protagonista que finca seu facão ao pé do jequitibá e depois enfrenta uma jornada repleta de dificuldades, a base da cadeia produtiva do cacau enfrentou desafios nas últimas décadas.
Nos capítulos da saga do cacau brasileiro, a ascensão vertiginosa como um dos maiores produtores mundiais do século XX foi seguida por uma queda abrupta nos anos 1980 e 1990, devido ao fungo vassoura de bruxa e a queda de preço no mercado internacional.
No entanto, assim como na novela, há um renascimento em curso, em busca de um papel proeminente na economia global. Hoje, o Brasil é o sétimo maior produtor global, e busca retomar seu lugar entre os maiores produtores do mundo fazendo isso de forma sustentável.
Com cerca de 200 mil toneladas produzidas anualmente em cerca de 600 mil hectares, a produção brasileira pretende atingir até 2030 o quarto lugar na produção mundial.
Mas, dessa vez, além da expectativa de maior eficiência produtiva, o cacau passou a ser mais inclusivo, porque distribui mais renda para os produtores de pequenas e médias propriedades.


O Brasil tem todas as condições para aumentar sua participação no mercado internacional. Para começar, o fato de ser produzido de forma sustentável coloca o país em uma posição de vantagem em relação ao cacau de outros países.
Cerca de 80% da produção brasileira de cacau tem origem agroflorestal, o que gera benefícios ambientais, mitiga mudanças climáticas e conserva a biodiversidade.
Hoje os maiores produtores mundiais de cacau, os países da África enfrentam falta de recursos e sofrem mais intensamente com as mudanças climáticas, o que tem levado as indústrias a buscarem fornecedores de matéria-prima em outras regiões.
A crise no principal polo produtor deve levar a uma redução da produção nos próximos anos, forçando uma elevação do preço do cacau.
A valorização recente da commodity nos mercados internacionais, negociada atualmente na faixa de USD 8 mil por tonelada, já tem motivado os produtores a intensificar suas atividades com a cacauicultura.
Além do preço, a demanda mundial crescente dá ainda mais ânimo aos produtores.
O Brasil tem capacidade para ampliar sua produção. O potencial é grande: estima-se que existam hoje 160 milhões de hectares de áreas de pastagens que poderiam ser restauradas com sistemas agroflorestais com cacau.
Aproveitar uma pequena parcela desse potencial seria uma excelente contribuição para a meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, o que evidencia ainda mais o potencial deste setor.


Além disso, o cultivo do cacau em SAFs atua como um aliado na conservação da biodiversidade, ao contribuir na formação de corredores ecológicos e preservar ecossistemas naturais.
Outro aspecto relevante é a relação à dinâmica do carbono nessas agroflorestas, de acordo com um estudo apoiado pelo Instituto Arapyaú, Dengo e WRI, sobre o estoque de carbono nas Cabrucas, a quantidade média de carbono encontrada foi de 66 toneladas por hectare.
Responsável por cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos, a cadeia cacaueira brasileira, em sua maioria, é composta por produtores de pequenas propriedades e de agricultura familiar, e contribui para a segurança alimentar de milhares de famílias.
Em momentos de adversidade, como da incidência de patógenos e doenças ou de quedas nos preços, a diversificação da produção dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) garante fontes alternativas de renda e ajuda a fortalecer a independência alimentar dos produtores.
Por fim, além de toda a lógica de mercado que atualmente está favorável, o cacau pode seguir a experiência do café brasileiro e ganhar variações gourmet, o que geraria maior valor agregado ao produto e consequentemente maiores ganhos financeiros para os produtores e uma melhor reputação para o país como origem de alta qualidade.
SUPERANDO DESAFIOS
Apesar dos avanços, o Brasil enfrenta desafios na busca por um papel central na cadeia global de cacau. A produtividade média nacional de 368 kg de cacau por hectare ainda tem vasto potencial de crescimento, destacando a necessidade urgente de incentivos em assistência técnica e acesso ao crédito direcionado.
Neste contexto, o Plano Inova Cacau 2030 surge como uma bússola, ao traçar não apenas metas de eficiência produtiva, mas também almejar a melhoria da renda dos produtores e a sustentabilidade ambiental.
No entanto, é crucial destacar que, ao contrário de outras áreas da agricultura e pecuária, o setor de cacau carece de políticas públicas robustas. O Inova Cacau é uma exceção, e não a norma.


A falta de incentivos para o desenvolvimento da cacauicultura contrasta com os subsídios existentes em outras esferas agrícolas, criando um cenário desigual. A necessidade de políticas específicas para o cacau é evidente, visando a impulsionar a produção, a inovação e a sustentabilidade.
Para estimular a cacauicultura brasileira é necessário investir em estratégias como o crédito com assistência técnica, diversificação e diferenciação, pesquisa e desenvolvimento.
Arranjos alternativos de iniciativas que concedem crédito com retorno, o capital concessional e os modelos mistos de financiamento (como o edital do BNDES de Blended Finance) são fundamentais para complementar as políticas públicas e democratizar o acesso a recursos para fomentar a base produtiva da cadeia do cacau.
Ao olharmos para o futuro, vislumbramos não apenas as plantações de cacau, mas ecossistemas regenerados, biodiversidade preservada e comunidades prosperando.
O cacau, além de sua qualidade intrínseca, é uma ferramenta eficaz na redução da pressão do desmatamento, na remoção do carbono e na promoção do equilíbrio ambiental.
Portanto, o cacau do Brasil está renascendo das adversidades e emerge não apenas como um ator da economia, mas como um embaixador da bioeconomia brasileira.
A retomada do cacau é mais do que uma reviravolta agrícola; é uma saga de inovação e prosperidade que ressoa além dos capítulos de uma novela, refletindo a resiliência e a visão do Brasil na construção de um futuro sustentável. (Fonte: https://umsoplaneta.globo.com)

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