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PROJETOS APOIAM PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE CACAU CULTIVADO POR MULHERES

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Veranice Alves da Silva, moradora de Dois Irmãos do Tocantins (TO), administra com apoio dos filhos uma pequena agrofloresta onde produz açafrão junto com frutas, grãos e raízes, além das nativas jatobá e candeia. “Os meus filhos ficaram sabendo na escola do projeto e hoje formamos um grupo de nove mulheres beneficiadas através dele”, conta.
O “projeto” a que ela se refere é o Programa REDD Cerrado, uma iniciativa da desenvolvedora de impacto, créditos de carbono e biodiversidade Ecosystem Regeneration Associates (ERA Brazil).
A agricultora ficou surpresa ao saber que, com o projeto, ganharia cerca de R$ 100 por dia com o que processava de açafrão. “Além da diária, ainda tinha 20% da venda do açafrão para nós mulheres. Facilitou para nós.”
O objetivo do projeto é promover a agricultura sustentável e gerar renda para a população local, especialmente as mulheres, por meio de um crédito de carbono “premium”. Além disso, a ERA Brazil ainda gera um “créditos de empoderamento feminino”.


Iniciativas como a da ERA Brazil, voltadas à produção sustentável e o protagonismo feminino, estão crescendo na cadeia do cacau.
Luciana Dias, agricultora em um assentamento em Uruçuca (BA), conta que, há quatro anos, precisou se mudar da zona urbana para a rural. No assentamento, hoje cuida de sete hectares de cacau cabruca, e em breve deve começar a vender mel e subprodutos da meliponicultura com abelhas uruçu, espécie sem ferrão, comum na região.
“Quando cheguei, eu não tinha renda. Foi aí que conheci, em 2021, a Tabôa e comecei a participar dos cursos. Hoje, sou agricultora, meliponicultora, chefe de família e quem cuida de todos e de tudo na minha casa.”
A ONG Tabôa oferece na Bahia o Programa Microcréditos de Cacau, com o apoio do Instituto Arapyaú, do Grupo Gaia e do Instituto Humanize, e tem como objetivo melhorar a vida de famílias produtoras da commodity.
Em 2020, o programa cresceu com a captação de R$ 1,4 milhão por meio de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) verde. O produtor que toma empréstimo pode usar o dinheiro como quiser, mas pelos estudos do Arapyaú, os destinos mais comuns são insumos, adubos e ferramentas para a plantação.
“No piloto, percebemos um incremento de mais de 30% da renda das famílias participantes, e, entre aquelas que fazem a mais, seu diferencial para vender às marcas conhecidas chega a 50% a mais”, diz Vinicius Ahmar, gerente de Estratégia para Desenvolvimento Sustentável do Instituto Arapyaú.


Esse resultado é explicado pelo aumento da produtividade, que cresceu em média 36%, e da disposição do mercado em pagar um prêmio pela qualidade do cacau.
“O crédito é construído com o agricultor, de acordo com a realidade e capacidade de pagamento”, conta Karine Araújo, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Territorial da Tabôa. Desde 2019, já foram R$ 6 milhões de desembolsos em quase 600 operações. A taxa de inadimplência não passa de 1%.
“Junto com o crédito sempre damos capacitação. Isso faz diferença para os agricultores saberem como aplicar melhor o recurso em benefício da produção e do aumento de renda”, diz Araújo.
A produtora de Uruçuca se diz muito grata pelo projeto. “O legal é que o técnico visita a área da para ajudar a pessoa a dizer onde pode aplicar o dinheiro para ter maior rendimento. Não tive dificuldade nenhuma para pagar, porque o prazo [de seis meses de carência] é bom e, por saber o que fazer, o retorno é muito rápido”, conta a baiana. (Fonte: https://globorural.globo.com)

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