MORAES RETIRA SIGILO DE INQUÉRITO QUE INDICIOU BOLSONARO E MAIS 36
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Bolsonaro foi indiciado junto de Braga Netto, apontado pela PF como “peça-chave” do plano.| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / arquivo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça (26) o sigilo do inquérito da suposta tentativa de golpe de Estado que levou
ao indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 36 pessoas, na semana passada.
O magistrado também determinou o encaminhamento do relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai decidir se oferece denúncia contra os envolvidos.
Em um primeiro momento, o sigilo foi levantado na petição relativa ao relatório da Polícia Federal sobre os participantes do suposto plano, de dez páginas. A expectativa é de que o documento completo, de mais de 800 páginas, seja liberado assim que terminar de ser digitalizado.
No mesmo despacho, no entanto, Moraes mantém o sigilo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que embasou a maior parte das investigações desde o ano passado. As informações dele também levaram à deflagração da Operação Contragolpe, na semana passada, que prendeu quatro militares e um agente da Polícia Federal.
“Embora a necessidade de cumprimento das inúmeras diligências determinadas exigisse, a princípio, a imposição de sigilo, onde são realizadas as medidas investigativas, é certo que, diante da apresentação do relatório final e do cumprimento das medidas requeridas pela autoridade policial, não há necessidade de manutenção da restrição de publicidade”, escreveu Moraes ao determinar a suspensão do sigilo.
Moraes ressaltou na petição que “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação”.

Por outro lado, o magistrado determinou a manutenção do sigilo da delação de Cid por conta “da existência de diligências em curso e outras em fase de deliberação”. Ou seja, ainda há informações que não podem ser reveladas neste momento para não prejudicar as investigações em curso.
De acordo com a investigação, Bolsonaro sabia do suposto planejamento de um golpe de Estado e das ações que vinham sendo articuladas para que isso acontecesse — o que foi confirmado pelo advogado de Mauro Cid, na última sexta (22). De acordo com a PF, entre os indiciados estão militares que ocuparam ministérios no governo do ex-presidente:
Augusto Heleno: general ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
Walter Braga Netto: general ex-ministro da Defesa, vice na chapa de Bolsonaro na campanha à reeleição em 2022 e apontado como peça-chave na suposta tentativa de golpe de Estado;
Paulo Sérgio Nogueira: general também ex-ministro da Defesa;
Almir Garnier Santos: almirante ex-comandante da Marinha.
Além deles, também estão na lista o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro. Saiba aqui detalhadamente quem são todos os indiciados pela Polícia Federal nesta investigação.

AINDA DE ACORDO COM A POLÍCIA FEDERAL, O RELATÓRIO DO INDICIAMENTO APONTA SEIS EIXOS DE ATUAÇÃO DO GRUPO:
Núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral;
Núcleo responsável por incitar militares a aderirem ao golpe de Estado;
Núcleo jurídico;
Núcleo operacional de apoio às ações golpistas;
Núcleo de inteligência paralela;
Núcleo operacional para cumprimento de medidas coercitivas.
O relatório agora parcialmente tornado público cita Bolsonaro em dois destes núcleos: o de “apoio às ações golpistas”, para executar medidas voltadas à manutenção dos protestos em frente aos quartéis militares e financiamento das forças especiais em Brasília; e o de “inteligência paralela”, para a “consumação do golpe de Estado”.
“Forma de atuação: coleta de dados e informações que pudessem auxiliar a tomada de decisões do então Presidente da República JAIR BOLSONARO na consumação do Golpe de Estado. Monitoramento do itinerário, deslocamento e localização do Ministro do Supremo Tribunal Federal ALEXANDRE DE MORAES e de possíveis outras autoridades da República com objetivo de captura e detenção quando da assinatura do decreto de Golpe de Estado”, anotou a PF.
O ex-presidente, no entanto, não é citado nominalmente como integrante destes núcleos.
PARA A PF, OS INDICIADOS ATUAVAM PARA OPERACIONALIZAR MEDIDAS PARA:
“Desacreditar o processo eleitoral;
Planejamento e execução do golpe de Estado;
Abolição do Estado Democrático de Direito, com a finalidade de manutenção e permanência de seu grupo no poder”.
VICE DE BOLSONARO À REELEIÇÃO FOI PEÇA-CHAVE EM SUPOSTO PLANO DE GOLPE
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(Fonte: www.gazetadopovo.com.br)
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