BONECOS OU FILHOS? A FRONTEIRA EMOCIONAL DOS BEBÊS REBORN – Pelo Prof. ZENILDO SILVA-ZOOM
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Eles parecem bebês de verdade, pele com textura, peso semelhante ao de um recém-nascido, cílios implantados um a um. Mas são bonecos. Conhecidos como bebês reborn, essas peças hiper-realistas são cuidados como filhos por milhares de pessoas ao redor do mundo. O perfil de quem cuida desses “bebês” é variado: há colecionadores, artistas, mães enlutadas que perderam filhos, mulheres que não puderam engravidar, e até idosos que encontram neles uma companhia emocional.
Em muitos casos, a relação vai além da brincadeira: o bebê é vestido, alimentado simbolicamente, colocado para dormir e até levado para passear em carrinhos. Para especialistas, esse tipo de vínculo pode ter múltiplos significados. É importante pensar que nem sempre é um transtorno. Pode ser uma forma simbólica de lidar com o luto, a solidão ou de expressar o cuidado e o afeto reprimidos. No entanto, quando há isolamento social, substituição da vida real pela relação com o boneco ou incapacidade de diferenciar fantasia de realidade, pode-se tratar de uma dependência emocional ou sinal de um vazio psíquico mais profundo.
A prática também levanta debates: é saudável ou preocupante? Para alguns, é apenas um hobby inofensivo. Para outros, pode ser um alerta de que algo interno precisa ser olhado com mais atenção. Enquanto isso, o mercado de bebês reborn segue em alta, e com ele, histórias que misturam arte, dor, afeto e busca por sentido.
Zenildo Santos Silva-ZOOM, Educador e psicólogo; doutorando em Educação pela UNEB, Mestre em Ensino e Relações Etnicos–raciais pela UFSB, e graduado em Psicologia e Letras.
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