PROMOTORA DESARTICULA TENTATIVA DE NOVA FRAUDE EM LICITAÇÃO DO LIXO NA PREFEITURA DE IPIAÚ
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Promotora Lissa Andrade e Prefeita Laryssa Dias
A 4ª Promotoria de Justiça de Ipiaú impediu que o grupo investigado por desvio de verbas na gestão da ex-prefeita Maria das Graças Mendonça voltasse a operar contratos públicos na atual administração da Prefeita Laryssa Dias (PP). A Promotora Lissa Aguiar Andrade identificou a manobra e recomendou a imediata desclassificação da empresa R I A Costa Ltda., que tentava assumir a coleta de lixo do município com fachada jurídica ligada à TRANSLOC — empresa já proibida de contratar com a prefeitura por decisão judicial, conforme conclusão da investigação que contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência do MP.
A licitação em questão, estimada em mais de R$ 12 milhões, refere-se aos serviços de limpeza urbana e transporte de resíduos sólidos. A empresa foi desabilitada do Pregão Eletrônico nº 90041/2025 após a pregoeira Adeilma Silva Reis acatar recomendação do Ministério Público. Apesar disso, a conduta da pregoeira segue sob vigilância do órgão, que mantém acompanhamento rigoroso do certame.
A tentativa de fraude envolveu o uso de uma empresa intermediária para permitir que os mesmos responsáveis pela TRANSLOC, investigados na Operação Aurora, voltassem a comandar o contrato milionário. A investigação anterior revelou que, durante a gestão de Maria Mendonça, o esquema desviou mais de R$ 20 milhões da Prefeitura de Ipiaú.

Mesmo proibida de renovar contratos com o município, a TRANSLOC segue operando de forma excepcional, devido à natureza essencial do serviço. A manutenção, no entanto, está condicionada a uma série de exigências impostas pelo Ministério Público e pela Justiça, que detectaram novas falhas na atual gestão.
Em decisão publicada no dia 30 de julho, a juíza de Direito de Ipiaú, Leandra Leal, acolheu manifestação do Ministério Público que apontou irregularidades nos pagamentos feitos pela prefeitura à TRANSLOC. Entre os problemas listados estão a ausência de comprovação de gastos, cobranças duplicadas por serviços já incluídos no contrato e falta de prestação de contas referente ao mês de maio.
Diante das falhas, a Justiça determinou a devolução de R$ 189 mil pagos de forma irregular, o bloqueio de novos pagamentos sem autorização judicial e a retenção de valores cobrados indevidamente. A promotora Lissa Andrade também apontou possível “negligência grave” da equipe da prefeita Laryssa Dias, que não teria exercido a devida fiscalização sobre o contrato.
O episódio levanta dúvidas sobre a administração da Atual Prefeita. Mesmo após um dos maiores escândalos de corrupção da história de Ipiaú, revelado pela Operação Aurora, a gestão Laryssa Dias permitiu a continuidade de práticas questionáveis no contrato do lixo — foco de sucessivos alertas do Ministério Público.
A próxima sessão do certame está prevista para segunda-feira (11), sob o olhar atento da promotoria. A recomendação é clara: qualquer nova irregularidade poderá resultar em responsabilizações por improbidade administrativa da Prefeita. (Fonte: Oblogipiau)
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