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OPINIÃO DE ZEBRÃO: 01 DE SETEMBRO DE 1980 – 01 DE SETEMBRO DE 2025 GANDU: 45 ANOS SEM ELISEU LEAL

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“SENTIMOS SAUDADE DE CERTOS MOMENTOS DA NOSSA VIDA E DE CERTOS MOMENTOS DE PESSOAS QUE PASSARAM POR ELA”


ELISEU CABRAL LEAL, nasceu em 01 de novembro de 1938, em Gandu, de família evangélica, filho de Juvêncio Lobão Leal (Juvêncio da Farmácia) e Dona Minervina Cabral Leal (Dona Pombinha), fez sua estreia na política como vereador eleito em 1958, para fazer parte da primeira Câmara de Vereadores da cidade recém emancipada.
Em 1966, aos 28 anos, foi eleito prefeito de Gandu, licenciando-se do cargo para candidatar-se a deputado estadual em 1970, no último ano do mandato (àquela época, as eleições não eram realizadas de 2 em 2 anos, eram unificadas). Sendo eleito em 1970 e tomando posse como deputado em 1971, sendo eleito prefeito novamente em 1976, assumindo em 1977 e governado até a data trágica.
No dia 01 de setembro de 1980, exatamente 45 anos atrás, era assassinado na sinaleira de Ondina, Salvador, o prefeito de Gandu, Eliseu Cabral Leal. Deixando viúva a Sra. Iracene Leite Leal e dois filhos: Soraia e Nelson Leite Leal.
Vereador, prefeito, deputado estadual, prefeito novamente, ELISEU CABRAL LEAL foi o maior administrador da história de Gandu. Hoje, quando vemos administradores que se auto-intitulam grandes administradores, não conhecem a história da nossa cidade.
Pois ele foi eleito em 1966, após 08 anos da emancipação política de Gandu, a cidade ainda estava a andar como se fosse ainda uma criança. Você assume com a responsabilidade de educar, orientar, pouca coisa funcionando para que se chamasse CIDADE.
Outra coisa é você já encontrar todo arcabouço pronto e você então coloca uma roupa, sapatos bonitos, andando com seus próprios pés… e já sabendo o que quer.
Nenhum prefeito após ele ou antes dele, teve 50% do seu desempenho como administrador. Abriu os bairros Emilia Costa, Jardim Gandu, Liberdade, Polivalente, Bela Vista… calçou ruas, inaugurou Hospital, Matadouro, fez a entrada da cidade com o Lago… Escola Polivalente, trouxe o Fórum, Telebahia…
No seu segundo mandato, continuou a expandir a sede da cidade, desapropriando terrenos para construções dos bairros hoje Eliseu Leal, originariamente Ernesto Geisel (presidente da República), Theotônio Calheira, Juvêncio Leal, Paulo Almeida… enfim, fez Gandu.


A sua visão de empreendendor, contratou profissionais para construção de uma maquete, para estender o Lago Azul até a entrada do 2 de Julho, com áreas de recreação, academias de um lado e outro. Não iriam existir essa parafernália de casas residenciais e comerciais que tomaram conta da área, transformando totalmente a cidade. Área que ele batizou de Parque Turístico, hoje…
Mas após a sua morte, foi feita criminosamente, uma distribuição de lotes para construção de residências de maneira irresponsável pelos seus sucessores, que não respeitaram a sua memória e nem o futuro da cidade.
A sua administração chamava a atenção não só da região, como de todo estado da Bahia, pois aqui instalaram-se os Banco BANEB, Banco do Brasil, Econômico, Bradesco…
Com a sua visão de grande administrador, de visionário, ele dizia e temos certeza que assim seria: “VAMOS TRANSFORMAR GANDU EM OUTRA SANTO ANTONIO DE JESUS…” e assim seria, caso não acontecesse a tragédia de 01 de setembro.
Gandu era comentada em todo Brasil àquela época, tempo difícil de divulgar-se algo, tendo inclusive sido escolhida pela revista “O CRUZEIRO”, a de maior circulação nacional, como A MAIS ASSEADA DO BRASIL.
Devemos aqui ressaltar, que o responsável pela Limpeza Pública da cidade, que era um carrasco, era o Sr. Manoel Moreira Barbosa, genitor dos amigos Boró e da ex-primeira dama Sra. Graça Cardoso.
Se não fosse a visão de administrador e homem público de Eliseu, a nossa cidade, com todo respeito, seria mais uma Ibirapitanga da vida, pois o traçado da BR-101 não iria passar por onde passa hoje, na nossa porta.
Não seria somente Gandu prejudicada, seriam Wenceslau Guimarães, Teolândia, Tancredo… todas elas ficariam isoladas, distantes por três, quatro quilômetros… seriam todas, cidadezinhas, ou nem isso.
E o que sempre lamentamos, nenhuma das cidades acima, tem uma gratidão à sua memória. Uma sequer, tenha um nome de ELISEU CABRAL LEAL em uma rua (avenida principal), ou mesmo uma travessa, um beco… nada… TODOS os administradores que passaram pelas cidades citadas, não conheceram a história das suas cidades.
A BR-101 não passaria onde passa hoje, fazendo que todas as cidades citadas crescessem como cresceram e estão crescendo.


O Ministério dos Transportes alegava com razão, que a BR-101 não poderia passar por Gandu e hoje cidades adjacentes, porque iria onerar e muito a construção da estrada, pois o traçado passar por Gandu, teriam que ser construídos dois viadutos (como foram construídos), pois no traçado original, passaria de três a quatro quilômetros de distância (como o caso de Ibirapitanga), não seriam necessários os dois viadutos.
Eliseu usou o seu prestígio pessoal e político, conseguindo trazer à nossa cidade, o Ministro dos Transportes Mário Andreazza (a entrada da cidade chama-se Mário Andreazza) e com muita paciência e prestígio conseguiu o OK do Ministro mudando o traçado (sabemos da história como foi conseguido que o ministro assinasse, aguardem nosso livro, com prefácios dos Drs. Humberto Brito Almeida e Edinaldo Bispo dos Santos).
Vamos parar e raciocinar, façamos ideia se a BR-101 passasse fora do traçado que existe hoje, como seria a nossa querida e amada Gandu? Como seriam Wenceslau, Teolândia, Tancredo…
Não seriam nada, cidadezinhas escondidas como tantas outras existentes por aí afora. Nosso comércio hoje pujante, praticamente não existiria. Bancos, um. Não existiriam os bairros que existem hoje. Nossa população seria diminuta.
Gandu continuaria sendo CORUJÃO… e chegou no patamar que se encontra hoje, porque os prefeitos PÓS ELISEU, encontraram o município já com seu alicerce de crescimento pronto. Já andava com os seus próprios pés, graças a formação que Eliseu dispensou à sua cidade.
A juventude de Gandu tem que conhecer a história deste que reputamos o maior de todos os prefeitos da história de Gandu e que os jovens de hoje, que vão nos governar no futuro, se espelhem em Eliseu Leal, ao seu amor incomensurável por esta terra.
Temos certeza que ele amava mais a sua cidade, ao seu povo, do que a própria família. Se ele não tivesse desaparecido tragicamente, Gandu hoje seria a maior cidade de todo baixo sul, pois ele preparava-se para assumir a prefeitura de Salvador (seria nomeado prefeito da nossa capital pois não havia eleição para as capitais, eram nomeados pelos governadores) e o governador à época Antonio Carlos Magalhães, já o havia convidado para assumir os destinos da capital, em virtude das suas divergências com Mário Kertész, levando-o a adquirir uma mansão no Jardim Armação.
De prefeito de Salvador para Governador do estado, seria um pulo.


Fomos seu secretário de Administração, àquela época era uma enorme dificuldade para conseguir uma ligação telefônica, que tinha que ser solicitada à saudosa D. Noêmia, responsável pelo posto da Telebahia, genitora de Chiquita, Mary, Camilo, Ernandes… muitas vezes levava mais de 48 horas.
Geralmente viajava às segundas-feiras e os problemas pipocavam, mas ele nos dizia: “TOME A DECISÃO QUE ACHAR MELHOR, PARA TODOS OS EFEITOS, FUI EU QUE MANDEI…”
Com muita honra, com muito orgulho, servimos com dedicação, zelo e amor. Ele nos chamava de professor… éramos um aluno do primário comparando ao seu vasto conhecimento e homem de visão para o futuro.
Colocamos em nosso currículo como o mais importante cargo que assumimos, pois, uma coisa é ser secretário de um administrador, um homem de visão, um homem que via o futuro como se fosse hoje. Outra, é você ser secretário de prefeito normal. Nos dias de hoje, você para tomar uma decisão por mais simples que seja, tem que pedir autorização, liga para o celular, envia um zapp…. nós não fomos secretário de um prefeito normal, fomos secretário sim, de um prefeito como ELISEU CABRAL LEAL, o maior de todos os prefeitos da história de Gandu e assim será por muitos e muitos anos ainda.
Com o seu desaparecimento prematuro, assumiu o cargo de prefeito, o vice Almir Ramos Carneiro, concluindo o seu mandato que havia sido prorrogado juntamente com todos os prefeitos do Brasil até 1982 pelo governo federal.
Que saudades… “ANTES DELE, NINGUÉM FOI IGUAL A ELE. DEPOIS DELE, NINGUÉM FOI E NEM SERÁ MELHOR QUE ELE”.
SAUDADES… SAUDADES… SAUDADES…

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