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O PROFESSOR NO OLHO DO FURACÃO: PERICULOSIDADE, INSALUBRIDADE E O COLAPSO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA – Pelo Prof. ISRAEL LEAL

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A educação brasileira atravessa uma crise profunda, perceptível em cada sala de aula, mas quase invisível nas estatísticas oficiais. Entre semanas temáticas, projetos, apresentações, cartazes e vídeos para as redes sociais, o professor se vê transformado em performer de um espetáculo que não educa. Tudo lindo, tudo compartilhável. Mas — e ensinar?
Não é falta de dedicação. Não é falta de amor. É um sistema que exige show o tempo todo e, ao mesmo tempo, rouba do professor o que ele mais precisa: tempo pedagógico, método, estrutura e condições reais de trabalho.
PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE: O RISCO SILENCIADO
A escola, que deveria ser um ambiente de segurança e desenvolvimento, tornou-se espaço de risco. Violência física e verbal de alunos, ameaças de familiares, episódios de intimidação: o professor vive diariamente situações que, em qualquer outra profissão, seriam reconhecidas como atividade perigosa.
Mas nenhum adicional de periculosidade existe para o magistério.
Do mesmo modo, a insalubridade é evidente: salas superlotadas, calor extremo, ruído constante, falta de ventilação adequada, estruturas deterioradas, pressão emocional contínua. Ainda assim, o professor não recebe nenhum tipo de adicional que reconheça essas condições.
BURNOUT: A DOENÇA QUE CRESCE NA SOMBRA
O resultado desse ambiente é devastador. Só no Brasil, mais de mil professores se afastam todos os dias por questões emocionais, esgotamento mental, crises de ansiedade e depressão. O Burnout — esgotamento profissional máximo — deixou de ser exceção para se tornar rotina.
E não é por falta de vocação ou esforço. O professor brasileiro cria, improvisa, reinventa, mas ninguém sustenta um sistema tão doente sem adoecer junto.


A ESCOLA VIROU PALCO: O ENSINO VIROU ADEREÇO
Há décadas, projetos pedagógicos são apresentados como solução para todos os problemas. Mas o problema não são os projetos — e sim quando eles ocupam o lugar do essencial.
Em vez de priorizar o ensino estruturado, os métodos baseados em evidências e a sequência pedagógica necessária para alfabetizar, o sistema exige cenários decorados, vídeos, fotografias e apresentações para cumprir uma estética educacional vazia.
Enquanto isso, nossas crianças avançam de ano sem aprender a ler, escrever ou interpretar. O brilho do espetáculo ofusca o vazio da aprendizagem.
A educação não é um evento. Educação é rotina, clareza, continuidade, método e intencionalidade. É ensinar todos os dias, mesmo quando não há câmeras registrando.
A CONTA CHEGOU: UM PAÍS QUE NÃO LÊ
A consequência dessa política educacional falida está diante de nós: alunos incapazes de compreender textos simples, jovens que não conseguem produzir uma redação e adultos que não dominam habilidades básicas para o mercado de trabalho.
O fracasso é coletivo — mas a culpa sempre recai sobre quem está na linha de frente: o professor.


A FALTA DE AMPARO LEGAL
Apesar do avanço da violência e do adoecimento docente, nenhuma política séria foi construída no Congresso Nacional para proteger quem educa.
A aposentadoria especial do magistério, que deveria ser um mecanismo de proteção, já não é tão especial assim. Não existe reconhecimento de periculosidade. Não existe adicional de insalubridade. Não existem políticas de prevenção ao adoecimento. Não existe amparo diante da violência.
E a famosa carteirinha de professor — apresentada como benefício — não resolve nada. O problema é muito mais grave.
A URGÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO REAL
O Brasil precisa de parlamentares que compreendam a educação na prática, que conheçam o chão da escola e que legislem para garantir condições dignas de trabalho aos professores.
É preciso reconhecer que não há país forte sem educação, e não há educação sem professor. Muito menos sem um professor protegido, respeitado e valorizado.
Mais que flores em datas comemorativas, os professores precisam de leis. De proteção. De políticas públicas sérias.
A educação não pode continuar sendo um palco. Precisa voltar a ser escola.
Israel Argôlo Leal – Escritor/ Colunista/ Sócio-empreendedor da Doce Paula Gourmet/ Mestre em Teologia/ Professor da Rede Pública/Licenciado em História/ Bacharel em Direito/ Ex-Vice Presidente da Associação Batista do Extremo Norte da Bahia 2008/ Ex- Vice Presidente – OPBB-(Ordem de Pastores Batista do Brasil) 2008 no Extremo Norte da Bahia/ Criador do Chocolate Filosófico/

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