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EM CRISE FINANCEIRA, CORREIOS REGISTRAM PREJUÍZO DE R$ 8,5 BILHÕES EM 2025

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Em crise financeira, os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Em 2024, o resultado havia ficado negativo em R$ 2,6 bilhões. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas, o que teve início no quarto período de 2022. Os dados foram detalhados nesta quinta-feira pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, que informou que os números ainda vão “demorar um pouco a melhorar”.
– De onde está vindo esse resultado? Primeiro, é uma parte de queda de receitas, de R$ 2,3 bilhões. Ela acontece, o primeiro fator importante é o ciclo vicioso. A dificuldade de caixa afeta fornecedores, a operação, macula a capacidade de aumentar volume e novos contratos. Mas R$ 2,3 bilhões não explicam R$ 8,5 bilhões – disse Rondon, ressaltando que a receita segue estável em termos nominais, mas que isso precisa ser melhorado.
Outro ponto relevante, de acordo com o presidente, é o aumento das provisões para passivos judiciais, medida que busca dar mais transparência ao balanço da estatal ao reconhecer despesas que antes não estavam integralmente registradas. Ele também citou a pressão dos reajustes salariais vinculados à inflação, garantidos por lei, e a rigidez da estrutura de custos da empresa.


Com despesas majoritariamente fixas, os Correios têm dificuldade de ajustar gastos diante da queda de receita, o que contribui para o desequilíbrio financeiro.
– Ela (despesa geral) não para, a estrutura de custos é muito rígida, com característica de custos fixos. Quando cai, não conseguimos fazer o ajuste. Tem reajuste salário pela inflação com tese judicial consolidada – disse.
A empresa afirma que o principal gasto que explica o resultado do ano passado é o pagamento de precatórios, que são despesas decorrente de decisões judiciais. Além disso, a receita bruta em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, 11,35% menor que a do ano anterior.
Em nota, os Correios afirmaram que o maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor – conhecida como “taxa das blusinhas”. No total, as receitas com encomendas caíram 0,5%.
“Esses números refletem pressões estruturais de longo prazo. O volume de cartas caiu de forma irreversível com a digitalização. O e-commerce cresceu, mas exige uma operação diferente, com entregas menores, mais dispersas e mais caras. Os Correios estão se adaptando a essa realidade, ampliando serviços logísticos, financeiros e de atendimento ao cidadão nas agências”, disse a estatal.


EMPRÉSTIMO DE R$ 12 BILHÕES
No fim do ano passado, os Correios conseguiram fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional, que foi depositado quase totalmente no dia 30 de dezembro.
Para tentar driblar a crise, a empresa passa por um processo de reestruturação. Porém, uma das principais apostas da estratégia de recuperação econômica, o plano de demissão voluntária (PDV) da empresa encerrou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, segundo o balanço parcial da estatal.
O número alcançado representa apenas 30% da meta de desligar 10 mil trabalhadores do quadro para economizar R$ 1,4 bilhão de despesas com pessoal a partir do próximo ano. O PDV teve a duração de cerca de dois meses.
– A adesão, a nosso ver, não foi baixa. Lançamos um PDV com prazo curto para poder ter tempo de avaliar o desempenho – disse Randon.
Apesar desses números, o presidente da empresa considera o PDV um “sucesso”.


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(Fonte: oglobo.globo.com)

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