WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia

MORRO DE SÃO PAULO VAZIA EM PLENO FERIADO (A EXPLORAÇÃO PASSOU DOS LIMITES. PREFEITURA UMA DAS CULPADAS)

.


O que está acontecendo em Morro de São Paulo neste feriado não é um acaso, é consequência.
Vídeos que circularam nas redes sociais nos últimos dias mostram um cenário que foge completamente do esperado para um período de alta demanda no Brasil: pouco movimento nas praias, ruas esvaziadas e relatos de comerciantes enfrentando queda significativa no fluxo de turistas, incluindo casos de estabelecimentos que já fecharam as portas por falta de público.
Para um destino consolidado, conhecido nacionalmente e historicamente associado a alta ocupação em feriados prolongados, esse tipo de imagem acende um alerta que não pode ser ignorado.
Esse cenário, inclusive, dialoga diretamente com algo que eu já havia apontado anteriormente. Há algum tempo, publiquei um vídeo com um trecho de uma participação minha em um podcast, no qual afirmava que não voltaria ao destino por considerar os preços desproporcionais à experiência oferecida.
A repercussão foi imediata e, em muitos casos, agressiva. Recebi comentários dizendo que, se eu não tenho dinheiro, não deveria viajar, que Morro de São Paulo não é lugar para pobre e que quem é “liso” deveria simplesmente ficar em casa.
A frase que mais se repetia era “liso dorme”. No entanto, a discussão nunca foi sobre condição financeira, e sim sobre coerência de mercado.


Como profissional de turismo com mais de duas décadas de experiência, a análise de um destino não pode ser feita de forma superficial ou emocional.
Ela precisa considerar a relação entre custo e entrega, a estrutura disponível, a qualidade dos serviços, a experiência do visitante e, principalmente, a sustentabilidade do turismo para quem vive dele.
Morro de São Paulo sempre foi um destino com preços elevados, mas o que se observa agora é um avanço ainda maior nesse custo, sem que haja uma percepção clara de evolução proporcional na experiência oferecida.
A própria taxa de turismo, que já passou por reajustes recentes e tem novo aumento previsto, reforça esse debate, principalmente quando o visitante não percebe de forma concreta os benefícios diretos desse valor na estrutura da ilha.
Mais do que uma discussão sobre preço, o que está em jogo é o equilíbrio do turismo como atividade econômica. Um destino não pode se sustentar apenas pela sua beleza natural, por mais privilegiado que seja.
É necessário que exista gestão, planejamento, investimento em infraestrutura e, principalmente, inclusão da comunidade local nesse processo. Quando o turismo encarece de forma desproporcional, quem primeiro sente os impactos não são os grandes empreendimentos, mas sim os pequenos negócios e os trabalhadores que dependem diretamente do fluxo de visitantes para sobreviver.


São restaurantes menores, ambulantes, guias locais e prestadores de serviço que acabam absorvendo a queda na demanda de forma imediata.
Outro ponto que precisa ser encarado com maturidade é o comportamento do turista brasileiro. Diferente de alguns anos atrás, hoje ele pesquisa, compara, calcula e toma decisões com base em custo-benefício.
E, em muitos casos, tem percebido que viajar dentro do Brasil pode ser mais caro do que realizar uma viagem internacional, inclusive sua primeira experiência fora do país, com mais estrutura, organização e previsibilidade.
Isso não significa desvalorizar o turismo nacional, mas sim reconhecer que existe um desalinhamento em determinados destinos que precisa ser corrigido com urgência.
O que esses vídeos mostram neste feriado é, portanto, um reflexo direto de um modelo que precisa ser revisto. Não se trata de atacar o destino, mas de propor uma reflexão necessária para que ele continue competitivo, atrativo e sustentável a longo prazo.
Porque o turismo não se sustenta apenas com reputação construída no passado, ele depende de adaptação constante, de leitura de mercado e de respeito ao consumidor.
E, diante de tudo isso, é impossível não lembrar da frase que eu mais ouvi quando levantei esse debate pela primeira vez: “liso dorme”. Mas do jeito que está, destino que afasta turista, uma hora também vai dormir. (Fonte Texto: https://turismo.ig.com.br – Manchete: blogdozebrao)

.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.