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ENTENDA POR QUE O PIX ENTROU NA MIRA DE TRUMP E QUAIS SÃO OS RISCOS POSSÍVEIS PARA O BRASIL

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Segundo o documento apresentado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos seria tratado de forma “injusta e discriminatória” em relação às empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard. A medida aparece como um dos fundamentos para o novo pacote tarifário de 25% contra produtos brasileiros.
POR QUE OS ESTADOS UNIDOS MIRARAM O PIX?
Durante o programa, Andrade explicou que, até o momento, não existe uma medida concreta contra o Pix, mas sim uma investigação comercial em andamento conduzida pelas autoridades americanas. “O governo americano deixou claro que considera essa forma como o Pix é tratado como algo injusto e discriminatório”, afirmou o jornalista.
Segundo ele, o principal argumento dos EUA é que o sistema é regulado e operado pelo Banco Central, além de oferecer gratuidade para pessoas físicas e limitar taxas cobradas de empresas. “O fato e o Pix ser gratuito para as pessoas físicas e também pelo Banco Central limitar taxas na operação para pessoas jurídicas acaba gerando uma concorrência um pouco mais complicada para as empresas de pagamento dos Estados Unidos”, disse Andrade.


O QUE A RUA 25 DE MARÇO TEM A VER COM O TARIFAÇO?
Além do Pix, o documento americano também menciona problemas relacionados à pirataria no Brasil e cita diretamente a Rua 25 de Março, em São Paulo. Segundo o repórter, os americanos defendem uma atuação mais dura do governo brasileiro no combate à venda de produtos falsificados.
“O governo americano fala que seria ideal que o governo brasileiro aplicasse leis mais duras contra a pirataria e também que tomasse uma fiscalização um pouco mais rigorosa na 25 de Março”, afirmou.
O jornalista destacou que o documento reconhece avanços recentes na fiscalização, mas aponta que o problema ainda afeta empresas americanas detentoras de marcas e produtos originais.
COMO LULA PRETENDE REAGIR AO TARIFAÇO?
Na avaliação de Bonin, o governo Lula tenta construir um discurso público de resistência à pressão americana, ao mesmo tempo em que atua diplomaticamente para evitar um agravamento da crise. “Nós tivemos um termômetro ontem com a entrevista do ministro da Fazenda (ao programa VEJA em Foco), quando ele diz que o país não vai aceitar a ‘faca no pescoço’. Esse é o tom que vai ser utilizado para a opinião pública”, afirmou o colunista.
Segundo Bonin, Lula mantém uma postura ambígua diante de Trump: endurece o discurso em eventos públicos, mas busca canais de negociação nos bastidores. “O presidente Lula sempre foi muito duro com Trump em palanques e discursos, mas adota uma postura também de conciliação quando busca abrir canais para dialogar”, disse.


OS ESTADOS UNIDOS QUEREM UMA GUERRA COMERCIAL COM O BRASIL?
Para Bonin, o desenho do novo tarifaço indica que Washington tenta aumentar a pressão política sem romper completamente a relação comercial com o Brasil. “Não é interesse dos Estados Unidos criar um caos direto com o Brasil”, afirmou.
O colunista observou que setores considerados estratégicos nas relações bilaterais ficaram fora da lista tarifária, entre eles Embraer, carnes, café e suco de laranja. “A Embraer, que era um pesadelo para os Estados Unidos no primeiro tarifaço, está fora. O setor de carnes está fora, café está fora”, disse Bonin.
Segundo ele, o governo brasileiro aposta justamente na diplomacia para tentar esfriar o conflito. “O presidente Lula está seguindo o conselho da diplomacia de buscar o diálogo e esperar essa fervura baixar para tentar reverter a situação”, afirmou.
O TARIFAÇO JÁ ENTROU NA CAMPANHA ELEITORAL?
Embora o governo americano apresente argumentos técnicos e comerciais, o tema rapidamente passou a ocupar espaço no ambiente político brasileiro, especialmente após a aproximação recente de Flávio com Trump.
No programa, Laísa Dall’Agnol observou que atacar o Pix tende a gerar desgaste político amplo no Brasil, já que o sistema se tornou altamente popular entre consumidores e empresas.

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