MÉDICO DA CHINA OPERA PACIENTE BRASILEIRO A MAIS DE 18.900 KM DE DISTÂNCIA, REALIZA FEITO HISTÓRICO E RESOLVE PROBLEMA INÉDITO DA MEDICINA
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Procedimento de retirada da vesícula foi feito com robô, equipe presencial no Brasil e comandos enviados da China Crédito: Dr. Bruno Benigno / Reprodução / YouTube
Com o avanço da tecnologia, frequentemente nos sentimos no futuro, mas alguns feitos chamam ainda mais atenção. Um médico brasileiro comandou da China a retirada da vesícula biliar de um paciente em Porto Alegre, em uma operação robótica apontada como uma das telecirurgias mais distantes já realizadas no mundo.
A cirurgia ocorreu no Hospital Mãe de Deus, em 20 de maio de 2026. Enquanto o cirurgião Norberto Martins usava um console em Wuhan, uma equipe acompanhava o paciente no centro cirúrgico no Brasil.
PUMA 560, 1985: braço robótico adaptado ajudou a guiar procedimentos como biópsias cerebrais e virou um dos primeiros marcos da cirurgia assistida por robô por Theoprakt / Wikimedia Commons
CIRURGIA ON-LINE
A operação foi uma colecistectomia, nome técnico da retirada da vesícula biliar. O paciente, de 47 anos, estava internado em Porto Alegre, enquanto o cirurgião enviava os comandos a partir da China.
Segundo o Hospital Mãe de Deus, Norberto Martins participou do procedimento a convite da MicroPort, fabricante do robô Toumai.
A cirurgia integrou a programação científica de um congresso de cirurgia, robótica e inteligência artificial: o 10º Congresso Acadêmico da Seção Chinesa da Associação Internacional de Hepato-Pancreato-Biliar (CCIHPBA).
O doutor controlou os movimentos em um console, enquanto os braços robóticos reproduziam as ações no bloco cirúrgico brasileiro.
No Brasil, o coordenador do Serviço de Cirurgia do Mãe de Deus, Guilherme Pesce, acompanhou o paciente presencialmente. Ou seja, enquanto a telecirurgia acontecia, havia uma equipe local a postos para realizar o pronto-atendimento caso algo saísse errado.
200 MILISSEGUNDOS
O número mais impressionante do caso é o tempo de resposta: cerca de 200 milissegundos entre o comando feito na China e a execução no Brasil. É menos de um quarto de segundo.
Esse intervalo é chamado de latência. Quanto maior a latência, maior o risco de o cirurgião perceber atraso entre o movimento das mãos e a reação do robô. Em uma cirurgia, esse detalhe pode afetar a precisão da operação.
Com uma latência tão baixa, o efeito é o mais próximo possível de estar operando presencialmente Crédito: Trevorjchapman / Wikimedia Commons
Um estudo publicado na revista PLOS ONE avaliou atrasos de comunicação em telecirurgia e concluiu que delays de até 100 milissegundos podem ser aceitáveis. Além disso, o desempenho melhora substancialmente com médicos especializados neste tipo de tecnologia.
O QUE MUDA PARA O PACIENTE
A cirurgia robótica costuma ser associada a procedimentos menos invasivos. Em vez de grandes cortes, muitos casos usam pequenos acessos, por onde entram câmera e instrumentos controlados pelo sistema.
Entre os possíveis benefícios, hospitais que adotam a técnica costumam destacar:
1 – Menor trauma cirúrgico, quando comparado a operações abertas;
2 – Recuperação mais rápida em procedimentos indicados para esse tipo de abordagem.
Exemplo de robô para cirurgia laparoscópica Crédito: Nimur / Wikimedia Commons
BRASIL ENTRA EM UMA VITRINE DA TELECIRURGIA
O Hospital Mãe de Deus afirma ter realizado, em 2025, a primeira telecirurgia robótica não experimental da América Latina, em parceria com o Hospital Nove de Julho, de São Paulo.
Agora, a conexão entre Wuhan e Porto Alegre amplia essa experiência para uma escala global. Segundo Norberto Martins, em fala atribuída ao G1, o procedimento foi “bastante difícil, mas perfeitamente executável, com segurança e qualidade”. (Fonte: https://www.correio24horas.com.br)
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