CIDADE QUE FOI A PRIMEIRA CAPITAL DO BRASIL REÚNE CENTRO HISTÓRICO TOMBADO PELA UNESCO, PRAIAS E UMA DAS GASTRONOMIAS MAIS FAMOSAS DO PAÍS
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Forte de Santo Antônio da Barra abriga o farol que se tornou um dos principais cartões-postais do litoral de Salvador. (Foto: Jean Lindemute/Instagram)
O cheiro do dendê que perfuma as ruas do Rio Vermelho parece distante dos altares dourados e dos sobrados coloridos do Pelourinho. Em Salvador, porém essas paisagens remontam a mesma história. A cidade reúne um acervo completo de patrimônio colonial, praias urbanas, religiosidade e uma gastronomia construída a partir das influências africanas, indígenas e portuguesas.
Fundada em 1549, Salvador foi a primeira capital do Brasil até 1763. O passado permanece visível na divisão entre Cidade Alta e Cidade Baixa, nas igrejas, nos casarões e nas ladeiras que conduzem o visitante por diferentes fases da formação do país.
A experiência não termina no centro histórico. O roteiro pode avançar pela Baía de Todos os Santos, alcançar o Farol da Barra e terminar diante das barracas de acarajé que mantêm viva uma tradição ligada à comida, à religião e à identidade afro-baiana.

PELOURINHO PRESERVADO NA CIDADE
O Centro Histórico de Salvador conserva um dos conjuntos coloniais mais importantes das Américas. No Pelourinho, fachadas coloridas, praças e templos religiosos revelam marcas do urbanismo português desenvolvido durante o período colonial.
Vários monumentos do bairro e de seu entorno receberam proteção federal entre 1938 e 1945. Depois, em 1985, o conjunto histórico entrou para a lista de Patrimônios Mundiais. Durante a década de 1990, aproximadamente 1.350 imóveis passaram por trabalhos de restauração.
Caminhar bairro adentro permite observar essa concentração arquitetônica. O percurso também ajuda a entender a posição elevada da antiga área administrativa, enquanto o porto e o comércio cresceram relativamente na Cidade Baixa.
DA PRAÇA AO MAR
A descida pode continuar em direção ao Mercado Modelo, instalado em um antigo prédio ligado à alfândega. Hoje, o espaço concentra artesanato local, restaurantes e uma vista aberta para a Baía de Todos os Santos.
Na mesma região, o Solar do Unhão ocupa um casarão à beira-mar e abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia. Já a Igreja do Senhor do Bonfim conserva uma das imagens mais conhecidas de Salvador: o gradil coberto pelas fitinhas coloridas deixadas por moradores e visitantes.
Depois, o litoral define o ritmo do passeio. O Farol da Barra, por exemplo, reúne patrimônio histórico e vista para o mar até se perder no horizonte, enquanto o Porto da Barra oferece águas mais tranquilas e um dos pontos tradicionais para acompanhar o entardecer.

CIDADE TEM GASTRONOMIA GERACIONAL
A gastronomia local reúne ingredientes e métodos que atravessaram gerações. A famosa moqueca baiana leva peixe, azeite de dendê, leite de coco, coentro, tomate e pimentão, geralmente preparados em panela de barro.
O vatapá combina pão, camarão seco, castanhas, amendoim, leite de coco e dendê. Já o caruru usa quiabo, camarão seco e castanhas, além de manter relação com celebrações religiosas.
Bobó de camarão, xinxim de galinha, cocada, quindim e cuscuz completam essa cozinha de sabores intensos. Mais do que uma lista de pratos, o conjunto revela encontros culturais que ajudaram a formar a identidade da cidade.
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