CACAUICULTURA POLÍTICA – Por Paulo Peixinho
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Paulo Peixinho, produtor de cacau
“QUEM NÃO LUTA PELOS SEUS DIREITOS, NÃO É DIGNO DELES” – Ruy Barbosa,1916
A cacauicultura brasileira possui relevância econômica, social, ambiental e territorial. No entanto, essa importância ainda não se converteu em representação política proporcional. O desafio de 2026 é transformar mobilização em organização institucional permanente.
Não é possível compreender as políticas de preços, o crédito rural, a legislação agrícola, o comércio e toda a complexa cadeia cacau–chocolate–floresta sem considerar o poder político dos produtores.
Ao longo do tempo, os poucos líderes cacauicultores foram perdendo a capacidade de transformar sua importância econômica em influência institucional.
Esse processo não resultou de uma única causa. Ele envolveu mudanças econômicas, fragmentação regional, descontinuidade das organizações representativas, dependência de medidas emergenciais e dificuldade de construir uma agenda comum para toda a cadeia.

Com a perda de força econômica, o produtor passou a depender cada vez mais da vontade do Estado e de políticas pontuais, muitas vezes insuficientes para enfrentar problemas estruturais.
Algumas perguntas, portanto, permanecem inevitáveis:
1) – O que levou os cacauicultores a perder capacidade de representação?
2) – Por que outros grupos passaram a ocupar espaços de decisão que deveriam contar também com a participação efetiva dos produtores?
3) – Como transformar a importância econômica e social da cacauicultura em poder institucional permanente?
Essas perguntas são ainda mais relevantes quando lembramos que, em determinado momento da história, os cacauicultores possuíam expressivo peso econômico e importância estratégica para o país, porém nunca exerceram a liderança política.
Hoje, diante dos desafios produtivos, comerciais, ambientais e financeiros, a ausência de representação proporcional torna a base produtiva mais vulnerável.

A perda de influência política não é um fenômeno simples. Ela envolve economia, instituições, organização social, informação, liderança e, sobretudo, a capacidade de uma classe reconhecer o próprio poder.
Para problemas complexos, não existem respostas simples. Mas a complexidade não pode servir como justificativa para a inércia. Ao contrário: ela exige mais consciência, organização e capacidade de articulação.
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UMA AGENDA NACIONAL DA CACAUICULTURA DEVERIA INCLUIR, ENTRE OUTROS PONTOS…
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