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QUANDO A HOMOFOBIA VIRA “BRINCADEIRA” – Pelo Prof. Zenildo Santos Silva-ZOOM

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O episódio vivido recentemente pelo ator João Victor Gonçalves, hostilizado e ridicularizado por um grupo nas proximidades do Rock in Rio por causa de sua aparência e de sua roupa, ganhou grande repercussão e passou a ser investigado pela Polícia Civil. Mas talvez a situação nos ajude a olhar para algo que acontece muito além dos grandes eventos e das pessoas famosas: a chamada homofobia recreativa, quando o preconceito aparece disfarçado de piada, brincadeira, deboche ou entretenimento. Ri-se do jeito de falar, de andar, de vestir, dos gestos ou simplesmente da possibilidade de alguém ser gay.
O problema é que, por parecer “só uma brincadeira”, muitas dessas violências passam despercebidas. Elas acontecem na escola, no trabalho, nas rodas de amigos, dentro das famílias, nas ruas e nas redes sociais. Às vezes, quem agride ainda responde: “não pode brincar mais?” ou “foi só uma piada”.


Mas é preciso perguntar: quem está rindo e quem está sendo transformado em motivo de riso? Quando o humor constrange, inferioriza ou reforça que determinados modos de existir são inadequados, ele deixa marcas e contribui para naturalizar o preconceito.
Talvez o caso que ganhou as redes sociais seja apenas uma oportunidade para enxergarmos milhares de outras cenas que não são filmadas, não viralizam e não recebem solidariedade pública. Quantas crianças aprendem cedo a controlar a voz, os gestos e o corpo para não serem motivo de piada? Quantos adolescentes e adultos escutam risadas e comentários todos os dias e simplesmente seguem em frente? Combater a homofobia também começa quando deixamos de achar graça naquilo que diminui a existência do outro. A pergunta que fica é simples: quantas violências ainda chamamos de brincadeira?
*O artigo não reflete necessariamente a opinião do blog (contrariamente aos editoriais, que são a posição oficial)
Zenildo Santos Silva-ZOOM – Educador e psicólogo; doutorando em Educação pela UNEB, Mestre em Ensino e Relações Etnicos –raciais pela UFSB, e graduado em Psicologia e Letras.

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